Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 26/09/2019

“Tava no fluxo, avistei a novinha no grau/ Sabe o que ela quer?” Esses e outros versos da música “novinha no grau” do cantor “MC Pikachu”, dentre outras do gênero “funk”, revelam como os jovens brasileiros banalizam o sexo e o desrespeito às mulheres. Essa realidade é fruto, sobretudo, das relações efêmeras incutidas pelos adolescentes e a omissão do Estado em conter os altos índices de gravidez na adolescência no Brasil.

Em primeira análise, é possível compreender o evidenciamento da gravidez em jovens com menos de dezoito anos como reflexo da “modernidade líquida”. Essa teoria, do filósofo polonês Zigmunt Bauman, afirma que, o contexto pós-moderno - de transformações constantes e imprevisíveis, leva o sujeito à busca pelos prazeres momentâneos. Nesse cenário, observa-se que os jovens, comumente, mantém relação sexual sem proteção, que acarreta, muitas vezes, em gravidez indesejada e, eventualmente, em doenças sexualmente transmissíveis.

Nota-se, ademais, que o desrespeito às leis que regem a saúde no país é outro fator agravante para o problema. Neste contexto, embora o artigo 196 da Constituição Federal garanta que a promoção e proteção da saúde sejam direitos do cidadão - e dever do Estado, tal ideal não se observa na prática. O que se observa, entretanto, é que 20% do bebês nascidos no país são filhos de adolescentes, conforme indica o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Isto posto, evidencia-se a falha do governo em evitar que jovens brasileiras, frequentemente, sem preparo físico e psicológico, entrem em gestação.

Destarte, considerando os argumentos supracitados, é preciso intervir na questão da gravidez na adolescência no Brasil. Para tanto, a Secretaria de Saúde dos estados deve executar um projeto de conscientização, com palestras e debates, por meio de parcerias com escolas públicas e privadas, para orientar os alunos menores de idade, acerca dos riscos e consequências do sexo desprotegido. Com isso, espera-se que haja diminuição das gravidezes precoces no país.