Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/09/2019

A obra cinematográfica ’’ Preciosa’’ relata a história de uma jovem que se torna mãe aos 16 anos e, em decorrência disso, se vê frente a muitas dificuldades cotidianas. Não tão distante da ficção, o Brasil enfrenta o problema dos altos índices de gravidez na adolescência, que tem suas raízes, sobretudo, na falta de informações sobre o assunto, ainda considerado um tabu na sociedade brasileira, e que, como consequência, tem gerados problemas físicos sociais às jovens mães.

É importante pontuar, de início, que, em relação ao cenário mundial, o Brasil tem uma das maiores taxas de gravidez na adolescência, chegando a cerca de 20% dos partos realizados no pais, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em suma, esses alto índice se deve ao fato de que no Brasil as discussões acerca de relações sexuais nessa faixa etária ainda são escassas. Atribui-se a isso o caráter ainda conservador de boa parte da sociedade brasileira que não se mostra favorável ao ensino relacionado à educação sexual. Como consequência disso, observa-se a falta de discussões sobre o assunto, tanto no ambiente familiar, quanto nas escolas, o que faz com que os adolescentes não se alertem para as possíveis adversidades provenientes de relações sexuais desprotegidas, como a gravidez na adolescência.

Em decorrência disso, é possível observar os altos índices de gestação nessa faixa etária, bem como as dificuldades ocasionadas por ela. Em primeiro plano, ressalta-se a possível ocorrência de problemas físicos, já que a adolescência é um período em que o corpo ainda se encontra em formação, muitas vezes não estando apto a gerar uma criança. Outrossim, a evasão escolar se mostra como outro problema decorrente da gravidez na adolescência, visto que muitas jovens precisam renunciar a vida escolar a fim de se inserirem no mercado de trabalho para obter recursos financeiros que possibilitem arcar com as despesas da criação da criança, fato esse que muitas vezes levam a perda de perspectiva de um futuro profissional mais planejado, decorrente da falta de formação educacional dessas jovens.   Frente ao exposto, fica evidente a necessidade de medidas que visem a mitigar essa situação. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação torne obrigatória a inserção de matérias relacionadas a educação sexual nas escolas, com disciplinas que discorram sobre o uso de métodos contraceptivos, bem como sobre as consequências advindas de uma gravidez nessa faixa etária, a fim de que os adolescentes se tornem mais prudentes e façam uso de proteção em suas relações sexuais, evitando, assim, uma gravidez indesejada. Somente desse modo sera possível garantir que a gravidez na adolescência se restrinja apenas a obras da ficção.