Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 28/09/2019
A Contra Reforma Protestante foi marcada pelo impedimento da leitura de alguns livros, seja pelos motivos políticos da época nas escritas ou sexuais. De maneira análoga, apesar de grandes avanços desde o século XVI, percebe-se que tal problemática de censura sobre assuntos relacionados ao sexo é vigente, tendo em vista que muitos jovens acabam se relacionado sem a devida prevenção; isso é acarretado, principalmente, desde a falta de instrução familiar e da ineficácia escolar.
Em uma primeira análise, destaca-se que a pouca conversa entre os familiares e seus filhos sobre assuntos da vida sexual futura dos jovens é uma das maiores impulsionadoras da evidência de gravidez. Tal perspectiva é retratada no livro “Capitães de Areia” de Jorge Amado, visto que a obra demonstra a vida de meninos marginalizados socialmente, pois não possuem uma estrutura familiar bem consolidada; com isso, práticas sexuais são atos normais a eles. Percebe-se, então, que tamanha falta de contato entre os indivíduos pode acarretar adolescentes mais precoces sexualmente e, por consequência, muitas meninas podem não aguentar e morrer durante o parto ou, em alguns casos, nascer crianças com problemas.
Ademais, ressalta-se que a falta da participação escolar, a fim de orientar os adolescentes a cerca de tal prática, corrobora essa evidência no país. Nesse viés, Arnold Van Gennep, antropólogo francês, retrata que a passagem infantil para a vida adulta envolve um rito que, às vezes, ocorre a separação das pessoas para depois voltarem com uma nova ocupação social. Logo, é visível a importância do setor educacional para prevenir a gravidez em determinada idade, em razão que as escolas fazem parte do segundo processo de socialização. Todavia, como existe pouca participação desses locais, as meninas possuem maior dificuldade de ascensão social, como Arnold referiu, haja vista que muitas deixam tal local primordial para cuidar dos futuros filhos. Assim, como acreditava Paulo Freire, esse meio precisa participar mais, para que a sociedade mude.
Desse modo, com o intuito do conhecimento sexual não seja mais um tabu, urge que o Ministério da Educação, em conjunto com as escolas, por meio de eventos educacionais, promova palestras a respeito das consequências que a prática sexual ativa antes do tempo pode acarretar principalmente nas meninas; para isso os discentes, docentes e as famílias serão convidados para os dias que acontecerão esses momentos; sendo que os pais terão conselhos dos palestrantes sobre a necessidade do contato direto com os filhos, a fim que as escolas e famílias se juntem para diminuir o quadro de gravidez antes da vida adulta. Com isso, a censura do século XVI ficará no passado.