Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/09/2019
Na série televisiva “The Society”, Becca é uma jovem menina que descobre está grávida de um caso de uma noite, nota-se o seu sentimento de medo e despreparo, além de estar sozinha e não ter o pai do bebê por perto. Fora da ficção, a realidade brasileira demonstra as mesmas conotações no que se refere a gravidez precoce. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema de contornos específicos, seja em virtude da desinformação, seja pelo individualismo da sociedade.
Convém ressaltar, a princípio, que a base educacional caracteriza-se como um complexo dificultador. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica a causa do problema: se os adolescentes não têm acesso à informação séria sobre as consequências de uma gravidez precoce, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação. Assim, um caminho para combater as evidências da problemática no Brasil é incentivar os jovens a buscar informações e conhecer mais as circunstâncias sobre o tema.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a dificuldade enfrentada pela falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo egoísmo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange aos impactos da gravidez na adolescência, pois o individualismo faz com que a jovem se sinta sozinha e desorientada, o que pode gerar evasão escolar, falta de perspectiva e até mesmo impactos negativos para o crescimento da criança. Dessa forma, a liquidez que influi sobre a questão funciona como forte empecilho para sua resolução.
Torna-se evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, o MEC, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais, como a gravidez na adolescência. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém o evento pode ser aberto a comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que se dê a conscientização dos impactos que tal acontecimento pode acarretar. Por fim, é preciso que a sociedade olhe para a problemática com mais amor, pois, como descreveu o poeta Leminsli: “Em mim, vejo o outro”.