Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 12/10/2019
Na obra cinematográfica denominada Juno, a Juno Macgiff, adolescente que despretensiosamente se vê mãe aos 17 anos de idade, opta pelo aborto e posteriormente decide pela adoção, motivada pelo desprazer com a gravidez. Fora das telinhas, muitas jovens vivem a mesma situação, o que configura um problema. Dessa forma, a displicência dos adolescentes aliada à negligência familiar e escolar acentuam o impasse.
Em primeira análise, o descuido nas relações sexuais é fator determinante para que a gravidez aconteça. De maneira anàloga à corrente literária intitulada como Barroco, em que uma de suas vertentes é o carpe diem, os jovens contemporâneos praticam-na muito. Assim, motivados pelo desejo de aproveitar o momento, viver por viver optam por não se proteger e assim ficam suscetíveis a vinda não desejada de um bebê e à possibilidade de adquirir uma IST. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a taxa de gravidez na adolescência, no Brasil, está na casa dos 68,4%. Com isso, uma gestação precoce ainda desencadeia outros intraves, como evasão escolar e o aumento da pobreza, já que, geralmente, a mãe jovem abandona a escola em prol do cuidado com seu filho, o que a torna inapta ao mercado de trabalho deixando-na estagnada e mais suscetível a penúria.
Além disso, o descuido no âmbito familiar e educacional corroboram a problemática. Apesar de o século XXI ser sinônimo de avanço e evolução, tratar de sexo ainda é um tabu, principalmente dentro de casa, os pais não abordam o tema e cria-se uma lacuna que, certamente, deveria ser preenchida. Ademais, as instituições educacionais também falham nessa questão, já que a educação sexual é pouco debatida nas escolas, por acreditarem que falar de sexo incita o ato. De acordo com Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Sendo assim, é cada vez mais necessário que os jovens tenham acesso a todo tipo de informação, principalmente sexual, para que estejam a par dos métodos contraceptivos e possam evitar uma gestação. De acordo com a pesquisadora Neyde Figueiró, menos de 20% das escolas públicas têm projetos de educação sexual para jovens e crianças.
Posto isso, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação aliado ao Ministério da Saúde deve intitular educação sexual como disciplina obrigatória no currículo escolar, na qual a abordagem consiste na orientação a cerca do uso de preservativo e métodos contraceptivos e, ainda, o conhecimento do corpo, feito com a ajuda de profissionais da saúde que disponibilizaria, inclusive, camisinhas e anticoncepcionais, a fim de que o número de jovens mamães seja reduzido e, consequentemente, o risco de contrair uma ist também. Com tais medidas, talvez, existiriam poucas Juno Macgiff espalhadas pelo Brasil.