Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 02/10/2019
Do ponto de vista biológico, após a primeira menstruação a mulher encontra-se apta para reproduzir. Entretanto, no âmbito social, tal fato invalida-se, haja visto as problemáticas decorrentes da gravidez precoce, fenômeno que prejudica o desenvolvimento psicossocial e a integração na sociedade das jovens mães, caracterizando-se como um impasse de saúde pública. Analogamente, o Brasil enfrenta os impactos sociais decorrentes da gestação precoce, ao passo que a desigualdade social e a ineficiência governamental em prover educação sexual ocasionam a manutenção de tal contexto maléfico.
Segundo um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2015, a cada 1000 mulheres de 15 a 19 anos, 60,5 tinham ao menos um filho. De certo, tal situação inaceitável é causada, principalmente, pela elevada desigualdade social existente no país, que limita parte da população ao acesso à educação, fato corroborado pela pesquisa, em que 85% das gestantes juvenis não concluíram o ensino médio. Tal conjuntura intensifica a vulnerabilidade das adolescentes e a perca da perspectiva de futuro ao passo que não possuem pleno acesso ao âmbito educacional e cultural, levando-as a terem maiores chances de tornarem-se vítimas da gravidez precoce.
Ademais, pontua-se também a ineficiência governamental em promover o ensino de educação sexual nas escolas como outro fator que ocasiona a manutenção dos casos de gestação na adolescência. De certo, a exposição de tal tema possui uma função pedagógica, ao passo que orienta os jovens não apenas sobre o uso de contraceptivos, mas também as consequências negativas de uma gravidez juvenil. Assim, de acordo com a ideia do filósofo Immanuel Kant ‘‘o homem é aquilo que a educação faz dele’’, é imprescindível o debate sobre a educação sexual, para que ocorra, além da eliminação dos tabus relacionados ao tema, a correta orientação acerca da importância de proteger a integridade das jovens.
Portanto, medidas são necessárias a fim de mitigar as consequências da ocorrência de gravidez juvenil no Brasil. O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, em parceria, devem promover palestras em escolas públicas com um público alvo composto por jovens com maior vulnerabilidade social. Tais palestras devem realizar a abordagem da problemática da gestação precoce no país, de maneira didática e elucidativa, apresentando os conceitos e a importância da educação sexual, com a finalidade de conceder aos indivíduos orientações de prevenção frente a uma possível gravidez, visando diminuir a ocorrência de tal fenômeno, protegendo, assim, o desenvolvimento sadio das adolescentes e a adequada integração social deste grupo.