Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 03/10/2019

No filme “Os Garotos de Minha Vida”, os sonhos da personagem Beverly D’Onofrio são subitamente interrompidos por uma gravidez precoce. Fora da ficção, de acordo com o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), o Brasil possui a sétima maior taxa de gravidez adolescente da América do Sul, o que expõe o quão comuns são os casos em que, assim bomo Beverly, jovens engravidam precocemente. Em virtude disso, faz-se necessário avaliar o contexto educacional, ao que tange o acesso às informações sobre o assunto e, também, a problemática histórico-cultural acerca da discussão sobre a sexualidade no Brasil.

Primeiramente, é preciso entender que, com um histórico de colonização escravagista, o Brasil sempre teve uma parcela da sua população em situação de pobreza. Com isso, os pais que se encontram nessa parcela tendem à terceirizar a educação dos filhos, haja vista que esses precisam dedicar a maior parte do tempo para o trabalho. Sendo assim, o ensino da responsabilidade ligada à vida sexual, bem como das consequências do mau uso de anticonceptivos (como as DSTs) se faz insuficiente ou, até mesmo, inexistente.

Além disso, a herança de valores religiosos deixada no país faz com que a deficiência do debate sobre a sexualidade seja um impulsionador do problema, pois o tabu gerado em cima do tema afasta os jovens da possibilidade de não se reterem à ignorância em relação à sexualidade. E, ainda que os professores tentem promover debates sobre o assunto, os mesmos são coibidos por sanções sociais ou por ações administrativas. E, sendo o homem fruto da educação, como o princípio Kantiano afirma, o não investimento em instrução sexual só pode resultar no constante aumento do número de adolescentes grávidas.

Faz-se mister, portanto, que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova palestras com especialistas em sexualidade juvenil e debates, por meio de verbas governamentais, que incluem e instruem a família sobre a importância da responsabilidade sexual, para que, assim, os conhecimentos necessários para um possível início da vida sexual sejam ofertados aos jovens e o tabu social sobre sexualidade possa ser quebrado. Além disso, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas de divulgação dos métodos anticonceptivos que são ofertados nas redes públicas de saúde e, também, abrir um canal, por meio da internet, que informe aos jovens sobre a prevenção de DSTs e sobre o uso correto de camisinha e anticoncepcionais, para que qualquer dúvida relacionada à vida sexual possa ser sanada e os adolescentes estejam conscientizados e aptos para essa fase.