Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 04/10/2019

A série “Sex Education”, produzida em 2018 pela Netflix, retrata o drama de uma jovem que, após descobrir uma gestação indesejada, precisa enfrentar as consequências em sua vida acadêmica e pessoal. Entretanto, quando se observa o atual cenário nacional, verifica-se que essa dura realidade não se restringe à dramaturgia e a gravidez na adolescência em evidência no Brasil se interpõe como pauta que merece ampla discussão em pelo menos dois aspectos: a questão educacional e os reflexos na saúde pública.

Em primeira análise, cabe pontuar que, de acordo com o educador brasileiro Anísio Teixeira, a educação é a ferramenta necessária para promover transformações sociais, todavia a abordagem ineficiente das escolas acerca da gravidez precoce não permite que esse preceito seja cumprido. Partindo desse pressuposto, a escassez de informações corretas sobre métodos contraceptivos e práticas sexuais seguras eleva consideravelmente a incidência dessa problemática, o que pode ser evidenciado ao analisar que, apesar da distribuição gratuita de camisinhas e anticoncepcionais nos postos de saúde pública, os índices gravidez entre os jovens ainda são altos. Diante disso, verifica-se que a instrução popular adequada é fundamental para transpor essa conjuntura.

Ademais, convém frisar que, além das questões de ordem social, esse arranjo também gera consequências à saúde pública. Isso ocorre porque, quanto mais jovem o indivíduo, menos seu corpo está fisiologicamente preparado para uma gestação, o que implica em uma série de riscos nesse processo, como complicações no parto, prematuridade no nascimento e, em casos extremos, mortalidade materna, fatores que fragilizam a saúde da mãe e do bebê e demandam uma gama de profissionais para contorna-los. Desse modo, percebe-se que a gestação não planejada ameaça não apenas o bem estar social das gerações futuras, mas principalmente o direito à vida.

Levando em consideração esses aspectos, torna-se evidente que esse prisma possui entraves que precisam ser revestidos. Logo, o Ministério da Educação deve abordar o tema de maneira mais ampla nas escolas, por meio de saraus, debates e palestras que discutirão os malefícios da gravidez precoce, com o auxílio de psicólogos e médicos, além de tratar mais efetivamente dos métodos contraceptivos, com o intuito de fornecer as informações necessárias para reduzir os índices de natalidade na adolescência. De outra parte, o Ministério da Saúde precisa criar campanhas em prol de práticas sexuais seguras, com o apoio das emissoras de TV. Assim, uma vez instituídas tais ações, os problemas relacionados à gravidez na adolescência tornar-se-ão cada vez mais raros no Brasil.