Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 12/10/2019
O filme “Juno” traz uma adolescente de 16 anos que engravidou do seu melhor amigo e decidiu entregar o seu filho à adoção. Fora da ficção, a gravidez precoce já é uma realidade no Brasil. Devido a lacunas sociais, esse cenário é frequente e gera grandes consequência negativas, as quais urgem uma postura do poder público e familiar.
Em primeiro lugar, é válido destacar a falta de acesso a informações no meio escolar e em casa. A princípio, há dificuldades na formação familiar acerca da sexualidade dos jovens, uma que é vista por muitos adultos como um tema complexo e, consequentemente, gera uma negligência com esse assunto. Outrossim, nas escolas, não há um debate amplo sobre essa problemática e, muito menos, sobre os meios de prevenção da gravidez na adolescência. Esse ponto de vista é confirmado pelo filósofo francês Foucault, o qual afirma que alguns assuntos são silenciados na sociedade com objetivos claros. Nesse sentido, os responsáveis e educadores não se aptos para orientar os adolescentes na vida sexual e os possíveis riscos, o que acarreta muitos casos de gestação precoce.
Por conseguinte, as maiores vítimas são os jovens, que têm a adolescência interrompida e são obrigados a amadurecer antes do tempo. A partir disso, observa-se a evasão escolar devido às limitações físicas e aos julgamentos da sociedade, os quais provocam um déficit na formação acadêmica, visto que mesmo após o fim da gravidez há uma dificuldade no retorno à escola. De acordo com Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, especializado em sexualidade, sem a correta orientação, as meninas de menor renda são as mais vulneráveis a isso. Dessa forma, essa problemática intensifica-se e corrobora a desigualdade social brasileira.
Fica evidente, portanto, que a gravidez na adolescência é um caso de saúde pública. Logo, o Ministério da Saúde, junto ao Ministério da Educação, deve promover palestras e debates nas escolas sobre a educação sexual, em todos os anos letivos, com a presença de ginecologistas, a fim de orientar os adolescentes sobre a temática. Assim como é preciso orientações aos responsáveis sobre como debater esse assunto com os jovens, e isso pode ser feito nas palestras supracitadas, com o auxílio de psicólogos. Então, o país poderá mudar esse cenário problemático.