Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 12/10/2019

O avanço da medicina, em conjunto com o desenvolvimento dos métodos contraceptivos, diminuiu a taxa de fecundidade em escala mundial. Entretanto, países como o Brasil mostram-se defasados para lidar com esse cenário, uma vez que ainda são afetados por imbróglios no que se tange à educação e esclarecimento sexual. Nesse contexto, torna-se ascendente a gravidez na adolescência, fenômeno que atinge a esfera de saúde, familiar e educacional.

Em primeira análise, conforme ideário do filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir acesso à saúde e bem-estar social. Contudo, a ausência de políticas públicas capazes de orientar os adolescentes sobre o corpo humano e a prática do sexo atua como um entrave para a efetivação desse direito. Além disso, de acordo com o renomado médico Drauzio Varella, muitos jovens têm acesso aos métodos contraceptivos, mas poucos sabem utiliza-los de forma adequada. Dessa forma, é possível perceber que a ignorância sobre o assunto constitui uma das principais lacunas dessa problemática, e deve ser um dos focos de resolução.

Por conseguinte, entra em questão a responsabilidade da família nesse impasse. Segundo a filosofia de Zygmunt Bauman, a Era Contemporânea é configurada pelo enfraquecimento dos laços afetivos. Sob essa perspectiva, é observável que o diálogo e o interesse sobre os acontecimentos da vida entre os familiares tornaram-se cada vez mais raros. Essa conjuntura inviabiliza a instrução dos pais sobre as mudanças corporais e hormonais, e contribui para a falta de conhecimento sobre o tema.

Ademais, é incontrovertível que a ocorrência de uma gravidez  provoca grandes impactos na vida dos adolescentes, especialmente nas mães. Nesse sentido, é notório o afastamento dessas jovens mulheres das instituições educacionais, fator que promove a evasão escolar, isolamento social e, até mesmo transtornos psicológicos. Em razão disso, é necessária a criação de projetos que reinsiram esse grupo social nas escolas e universidades brasileiras.

Portanto, o Ministério da Educação deve alterar a Matriz Curricular Nacional da faixa etária adolescente e incluir disciplinas que orientem esse público sobre o corpo humano, sua fisiologia e o uso dos métodos contraceptivos. Essa medida será capaz de prevenir a gestação precoce, uma vez que haverá o devido esclarecimento sobre o tema. Somado a isso, esse órgão também deve estimular a participação da família na educação dos jovens e mobilizar o diálogo e estreitamento dos laços. Sendo assim, os pais se tornarão cientes sobre as dúvidas dos filhos e serão capazes de intervir quando necessário. Por fim, é necessário que o MEC crie políticas de reintrodução de mulheres grávidas nas instituições de ensino, para que sua vida acadêmica não seja negligenciada.