Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/10/2019

O Romance “Clara dos Anjos”, do Pré-modernista Lima Barreto ao retratar a injustiça e desigualdade social em que vivia a sociedade carioca do século XIX, torna-se atemporal ao expor não só um cenário de descaso e extrema pobreza presentes até hoje no país, mas ainda por trazer a temática da gravidez precoce. Analogamente, a atual realidade brasileira não é muito diferente, uma vez que, em uma nação regida por ideias patriarcais e retrógradas, a desinformação acerca da educação sexual acaba por acentuar a situação de vulnerabilidade social em que se encontram inúmeras jovens. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos e consequências desse quadro.

Em primeira análise, percebe-se que a desinformação é o principal fator da gravidez precoce, visto que deriva de uma crença equivocada das escolas, junto às famílias, de que instruir os adolescentes sobre prevenção sexual pode encorajá-los a se tornarem sexualmente ativos. Segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Certamente, a atuação do cristianismo na colonização impôs a exaltação da pureza sexual, sendo assim, a comunidade brasileira incorporou essa imposição e infelizmente naturalizou um enorme tabu quando o assunto é sexo. Isso é notório, à medida que 625.750 de garotas abaixo de 19 anos se tornaram mães no ano de 2014, apenas no Estado de São Paulo, segundo o site Acidadeon.

Outrossim, a partir da frase do Economista Roberto Campos, a qual dizia “Tudo o que se pode fazer é administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades”, analisa-se que o Brasil, que está entre as dez maiores economias do mundo, falha em promover igualdade, pois, apesar de ser um país rico, é notório o número de pessoas marginalizadas. Por conseguinte, tal negligência resulta em jovens vulneráveis, na medida em que eles não têm acesso a uma educação de qualidade, o que impossibilita uma perspectiva em relação ao mercado de trabalho.

Considerando-se os aspectos mencionados, é preciso que o Ministério da Educação, através Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, crie um projeto de prevenção à gravidez, no qual consistirá a adição da matéria sobre educação sexual na grade curricular, além de um fórum virtual para que a família, junto aos alunos, tenha o direito de opinar e dar ideias para tais aulas, com o intuito de envolver a comunidade no combate à problemática. Ademais, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento intensifique os programas sociais, como o Bolsa Família, Bolsa Verde, entre outros, a fim de promover a inserção na sociedade dos brasileiros marginalizados, para que tais pessoas ampliem suas oportunidades sociais, como educação e trabalho.