Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/10/2019
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16% dos nascimentos, em 2017, foram de meninas brasileiras com idades entre 15 e 19 anos e 21.000 de meninas com faixa etária inferior a 15. É certo que os percentuais diminuíram ao longo das décadas, no entanto, não é justificativa para estagnação do combate a esse quadro. Urge, portanto, a necessidade de analisar o porquê da falta de discussão sobre o tema, bem como as consequências da gestação sobre a vida dessas adolescentes.
Primeiramente, a teoria do sociólogo Weber comprovou que a religião tem grande influência numa sociedade quando associou a evolução do capitalismo com o crescimento das Igrejas Protestantes. Inclusive, sabe-se que as Instituições Religiosas brasileiras, em sua maioria, têm como tabu o assunto sexo e influenciam a comunidade a não conversar sobre o tema. Em virtude disso e em consonância com os estudos de Weber, as escolas encontram dificuldade de promover debates com o assunto para informar e prevenir contra gravidez não planejada e doenças sexualmente transmissíveis.
Além disso, é importante ressaltar que manter uma criança implica altos custos e que a maioria dessas mães precoces não possuem renda. Logo, paralelo à gestação, elas tendem a sair das escolas e acabam em subempregos pela falta de escolaridade. Segundo estudo feito pela Fundação Abrinq, 30% dessas meninas não concluem o ensino fundamental - menos de 7 anos estudados. Dessa forma, são necessárias medidas urgentes para a ampliação do amparo que é direito garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Evidencia-se, então, que a maternidade em crianças e adolescentes é problemática urgente e precisa ser combatida no País. Por isso, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de parcerias com as escolas, promover palestras e discussões mensais com conteúdo informativo e lúdico, para que os alunos tenhas consciência de todas as consequências que envolvem o ato sexual sem proteção. Somado a essa medida, para fomentar a permanência dessas mães nos estudos, cabe ao Ministério da Educação, elaborar reformas que possibilitem acesso às disciplinas de forma Estudo à Distância (EAD) com a criação de salas computacionais em prédios escolares que funcionem fora do horário comercial, com o intuito de atender uma maior quantidade de pessoas. Feito isso, a médio ou longo prazo, os índices preocupantes irão reduzir e a inclusão das meninas mães será mais efetiva.