Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 16/10/2019
Sob a perspectiva filosófica do alemão Jürgen Habermas, a sociedade é dependente da crítica à suas próprias tradições. Diante disso, destaca-se costumeiro rótulo de tabu que a sociedade brasileira trata o tema sexo. Dessarte, é necessário ressaltar que a falta de instrução a respeito do assunto intensifica a incidência de jovens que fazem sexo engravidarem sem vontade. Esse ato, por se tratar ainda de um tabu, pode afetar a saúde dos adolescentes, além do bebê em formação. Dessa maneira, fica evidente a demanda de ações assertivas por parte do Estado para remediar essa situação.
Conforme os dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, mais de 14% das mulheres se tornaram mães até os 19 anos de idade no Estado de São Paulo. Outrossim, a maior parcela desse contingente se encontra em populações que vivem em condições de vulnerabilidade e periferia, o que agrava ainda mais a pobreza, a saúde da jovem mãe e o desenvolvimento do bebê. Além disso, a mãe adolescente, quando descobre a gravidez, tenta esconder a sua condição por medo de retaliações familiares e da sociedade, aumentando ainda mais a problemática, o que também prejudica a saúde tanto do bebê quanto da mãe por não buscar assistência médica em tempo oportuno pela falta de apoio e instrução.
Por conseguinte, adolescentes que iniciam a atividade sexual sem possuir conhecimentos e informações adequadas a respeito da temática sexo e gravidez, se tornam os mais vulneráveis da concepção indesejada. Consequentemente, as jovens mães gestantes são obrigadas a retardar a própria escolaridade, aumentando a taxa de evasão escolar, pois, para criar um filho recém nascido demanda saúde, recursos financeiros e tempo. Logo, o desenvolvimento técnico e acadêmico necessário para ocupar uma determinada carreira dos sonhos dessa jovem se torna comprometido.
Portanto, para que o número de gravidez indesejada entre adolescentes e suas consequências negativas sejam reduzidas, urge que o Ministério da Educação crie, mediante verbas governamentais, campanhas publicitárias educativas, por meio de veículos de comunicação e redes sociais, a respeito do sexo seguro, explicadas por profissionais da área da saúde sobre como praticar o sexo com segurança, os métodos contraceptivos existentes, a fim de conscientizar a população e desmistificar esse tabu inerente ao tema. Ademais, é necessário viabilizar palestras semestrais sobre o assunto nas instituições de ensino, promovidas por professores e profissionais da área da saúde, com a imprescindível presença dos alunos e familiares, com o intuito de formar cidadãos esclarecidos. Nessa perspectiva, a ocorrência de gestações indesejadas na fase da adolescência será drasticamente diminuída e a população obterá mais saúde, consciência e dignidade sobre a temática.