Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 20/10/2019

O filme canadense ’’ JUNO’’ aborda as dificuldades de uma adolescente de 16 anos - Juno - que engravida de maneira inesperada. No filme, em um primeiro momento, a protagonista decide fazer um aborto, porém logo desiste,opta por ter o bebê e doá-lo para adoção. Desse modo, tal ficção parece fazer alusão aos obstáculos relacionados a gravidez na adolescência, sobretudo, quando é inesperada. Nesse sentido, é importante se atentar para a herança histórico-cultural, bem como, a negligência do poder público como principais motivadores da maximização da gravidez precoce, a fim de promover medidas eficazes para atenuar esse quadro.

Primordialmente, cabe considerar que a base religiosa desde a colonização aos dias atuais é de origem cristã e esta conduziu o sexo a condição de tabu. Conforme o pensamento do filósofo Michel Foucault: ’’ Alguns temas são silenciados da sociedade com objetivos predeterminados’’. Logo, sendo o sexo um tabu, as pessoas  sentem-se constrangidas em se informar sobre métodos contraceptivos , fazendo predominar a desinformação, o número de jovens grávidas e consequentemente efeitos nefastos e  profundos na saúde das meninas durante a vida.

Outrossim, a omissão governamental corrobora para ampliar o problema. Isso se dá na medida em que ainda existe escassez de informação e acesso restrito as técnicas contraceptivas. De acordo com pesquisas elaboradas pela Corporação Britânica de Rádio e Difusão ( BBC)  há enormes discrepâncias quanto a distribuição de procedimentos contraceptivos sendo a região norte e nordeste as que menos têm acesso a eles. A partir disso, é inevitável  o aumento do numero de gestantes precoces e junto a ele, o preconceito e a discriminação - familiar e social- com as jovens, e estas ficam sobrecarregadas com o trabalho representados por uma criança.

Portanto, é mister que sejam tomadas providências para reduzir o quadro atual. Para promover uma boa qualidade de vida a população, urge que o Governo Federal em parceria com os governos estaduais crie, por meio de verbas governamentais,  campanhas publicitárias nos meios de comunicação que expliquem a importância em se atentar para uso dos métodos contraceptivos. É papel do governo ainda, criar movimentos para disponibilizar no Sistema Público de Saúde (SUS) acesso igualitário aos contraceptivos. Somente assim será possível diminuir os índices de gravidezes a baixo dos 18 e promover o bem estar social.