Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 22/10/2019
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão da gravidez na adolescência em evidência no Brasil. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de racionalidade, a nível pessoal, bem como o silenciamento, a nível social.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a lacuna de um pensamento racional mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Segundo Hegel, um dos filósofos mais importantes da história, a razão rege o mundo. No entanto, verifica-se uma atuação da irracionalidade na questão da gravidez precoce entre os jovem, que, muitas vezes tomam decisões baseados em critérios alheios ao pensamento racional ou ao planejamento ao longo prazo, como o hedonismo, ou seja, a busca por prazeres imediatos, além do desejo de serem aceitos no grupo. Assim, sem a presença de uma lógica que permita tomar decisões de um bom senso, esse problema tem sua intervenção dificultada.
Além disso, a gravidez na adolescência encontra terra fértil no silenciamento. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada em meios como a escola, a mídia e a própria casa do jovem, lugares que o diálogo é escasso e, quando ocorre, se dá por meio de uma linguagem autoritária, na maioria das vezes. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo de forma empática amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a gravidez precoce entre o jovens no próprio ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, não devem se limitar aos alunos, mas ser aberto à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao tema e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de soluções. Em suma, é preciso que aja sobre o problema, pois, como defendeu Simone de Bevouir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos seres humanos”.