Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 20/10/2019
A obra cinematográfica “Onde mora o coração” retrata as mudanças na vida de uma adolescente, de 17 anos, após a descoberta de uma gravidez indesejada, situação semelhante a de muitas meninas no Brasil. De acordo com o relatório da Organização Nacional da Saúde, o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. Ainda que as causas para uma gestação precoce sejam múltiplas, a ausência de conhecimento e a carência na obtenção de métodos contraceptivos são razões que se sobressaem.
Em primeiro lugar, cabe pontuar que a gravidez na adolescência decorre da falta de informação por parte dos jovens sobre o exercício da sexualidade e suas consequências.Embora pais e instituições de ensino reconheçam a importância da instrução sobre o tema não o fazem por considerarem embaraçoso ou por crerem que educar os jovens sobre concepção pode encorajá-los a tornarem-se sexualmente ativos. Tal crença mostra-se equivocada diante dos resultados das pesquisas, como a provida pela ONU, que indica que jovens que não possuem conhecimento sobre prevenção têm maior probabilidade de engravidar que aqueles que conhecem as opções de controle de natalidade.
Ademais, o acesso limitado a métodos anticoncepcionais é outro fator que contribui para o fenômeno analisado. Há regiões em que a disponibilidade a esses métodos é precário, e nem todo posto de saúde oferece contraceptivos, entre eles a pílula do dia seguinte. Vale ressaltar que existem leis que instituem a obrigatoriedade de fornecimento, de forma gratuita, de preservativos em Unidades Básicas de Saúde (UBS), no entanto, a aplicação da norma não é feita de forma plena.
Portanto, é necessário a adoção de medidas que busquem sanar os problemas apresentados,como a promoção de educação sexual para os jovens, a partir da inclusão, instituída pelo MEC, da temática no currículo escolar, objetivando que os adolescentes tenham informações precisas e atualizadas e possam, dessa forma, exercer sua sexualidade de forma segura e responsável. Além disso, a garantia de obtenção de anticoncepcionais em UBS via aprovação, pelo Senado Federal, de lei que garanta a distribuição, também contribuiria para um planejamento familiar adequado.