Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 21/10/2019

O filme Simplesmente Acontece exterioriza a realidade de uma jovem de 18 anos, que teve seus planos temporariamente interrompidos por causa de uma gravidez não planejada. Fora da ficção, a realidade de muitas brasileiras não é diferente, visto que, atualmente, o país enfrenta uma epidemia de gravidezes em adolescentes. Nesse sentido, é inegável que tal situação já é um obstáculo nacional, que ocorre, infelizmente, devido à falta de educação sexual nas escolas e sacralização da virgindade imposta desde a colonização, acentuando consequência não só pra mãe, como também pra sociedade.

Convém ressaltar, a princípio, que a exaltação da virgindade e da pureza está enraizada desde o Cristianismo implantado na colonização do Brasil. Por esse ângulo, é perceptível que isso reflete na população patriarcal e machista vigente, que perpetua uma série de preconceitos e mitos acerca da sexualidade, principalmente a feminina. Além disso, a ausência de uma disciplina que possa orientar os jovens sobre a questão sexual, comprova a negligência estatal que por não exigir essa matéria no currículo escolar enfatiza a desinformação da juventude frente à esse assunto, o que corrobora com a gestação precoce. À vista disso, o tabu da ruptura do hímen, questionado por Sigmund Freud, instituiu uma barreira entre as moças e seus responsáveis, que não dialogam sobre essa etapa da vida e, assim, favorece a vulnerabilidade dos pubescentes à gravidez.

Ademais, são indubitáveis as mazelas oriundas desse problema, afinal, isso engendra a evasão escolar e o trabalho infantil. Nessa perspectiva, dificilmente essas meninas que engravidam, ainda em sua juvenilidade, permanecem estudando após ter a criança, pois não conseguem conciliar as atividades da maternidade com os estudos, e mesmo decidindo voltar aos institutos educacionais, geralmente elas têm um desempenho escolar menor. Prova disso, é que mais de 300 mil mães jovens estão fora da escola segundo levantamento do Movimento Todos pela Educação. Outrossim, essas progenitoras juvenis lidam com o preconceito, não apenas da família ou núcleo comunitário mais próximo, mas por toda a sociedade, isentando-se de atividades que antes eram comuns.

Infere-se, portanto, que é imprescindível buscar alternativas que amenize tal problemática. Para isso, com o intuito de informar as jovens e destruir os estigmas consolidados socialmente, compete ao Ministério da Educação instituir a Educação Sexual nos currículos escolares, para orientar os alunos e responsáveis, através de palestras constantes e esclarecedoras. É importante, também, que o Estado, atrelado ao poder de influências dos meios midiáticos, desenvolver campanhas que conscientizem a população sobre os efeitos individuais e sociais de uma gravidez precoce. Afinal, como preceitua Heráclito, filósofo pré-socrático, nada é permanente, salvo a mudança.