Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 25/10/2019
As taxas de natalidade atualmente são bem reduzidas quando comparadas com as de alguns anos atrás. Entretanto, apesar desse cenário ser comum nos países desenvolvidos, em locais como o Brasil o número de grávidas ainda é bastante significativo, principalmente entre as adolescentes de 12 a 18 anos. A gravidez precoce no país ocorre sobretudo devido a acentuada desigualdade social e gera prejuízo econômico pois ocasiona o aumento da evasão escolar.
O abismo existente entre as classes sociais brasileiras gera diversas consequências, uma delas é a gravidez não planejada e precoce. Isso é, as adolescentes que vivem em comunidades não possuem os mesmos acessos as informações e a contraceptivos como as demais jovens de maior poder aquisitivo. Segundo uma reportagem feita pelo Profissão Repórter, em periferias do Acre foram realizados mais de mil partos em adolescentes no ano de 2017, o que evidencia a falta de cuidado e proteção nas relações sexuais, durante as entrevistas são mostrados pacientes que nunca tinham ido ao ginecologista até então por falta de transporte, conhecimento e profissionais. Dessa forma é notório como a desigualdade social influencia no aumento da gravidez precoce.
Por conseguinte, com o aumento de gestantes adolescentes, a evasão escolar cresce proporcionalmente e influencia na economia do país. Ou seja, com mais jovens deixando as escolas e faculdades, haverá menos mão de obra qualificada no mercado. De acordo com o Ministério da Educação o abandono escolar em 80% dos casos é ocasionado pela gravidez precoce, as mães não conseguem conciliar os estudos com as responsabilidades maternais.
Portanto, torna-se evidente que a gravidez na adolescência é ocasionada principalmente pela desigualdade social e gera o abandono dos estudos. A fim de amenizar tal situação, o Ministério da Saúde deve investir em aumentar o acesso a informações as comunidades carentes fazendo campanha nos bairros, escolas e postos de saúde com panfletos, distribuição de preservativos, palestras gratuitas e médicos disponíveis ao atendimento. Além disso, os hospitais públicos de periferias devem disponibilizar de maior infraestrutura e acessibilidade a todas as mulheres com campanhas de conscientização, estoques de contraceptivos e maior número de funcionários para aumentar o atendimento, facilitando o acesso do público. Dessa forma, com ações que diminuam a desigualdade na saúde pública, é possível reduzir o número de grávidas adolescentes e proporcionar a elas um futuro melhor.