Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 22/10/2019
De acordo com os dados da ONU, a taxa nacional de 62 adolescentes para cada mil mulheres na faixa etária entre 15 e 19 anos, é maior que a média mundial. Nesse contexto, é perceptível o descaso com o uso dos métodos de prevenção e a carência da educação sexual, o que qualifica essa problemática como um caso urgente de saúde pública. Nesse aspecto, é válido analisar as causas desse fenômeno no que diz respeito à busca por informações sobre o assunto e a ausência do diálogo familiar. Primeiramente, a negligência das jovens na procura por um conhecimento prévio dos meios contraceptivos é um dos fatores que influência no surgimento da gravidez precoce. Isso porque, muitas adolescentes iniciam a vida sexual de forma imatura, na qual o discernimento e senso crítico estão subdesenvolvidos, o que facilita a manipulação de terceiros ou do próprio parceiro em praticar relações desprotegidas. Nesse viés, é notória a importância do ensino à sexualidade dialogando, assim, com a teoria do Educador Paulo Freire, em que só a educação é capaz de realizar grandes mudanças na sociedade. Desse modo, é essencial que elas sejam estimuladas a buscar informações sobre os contraceptivos e do próprio corpo, como forma de autoconhecimento e, consequente, prevenção.
Além disso, o fato do sexo ainda ser tratado como tabu social representa outro elemento que contribui para o desenvolvimento da gravidez na adolescência. Isso ocorre devido a ideologia patriarcalista ainda enraizada na sociedade, desde a Idade Média, na qual as mulheres eram privadas da vida sexual, pois esse evento só poderia ocorrer após o casamento e, com isso, os assuntos relacionados à sexualidade não poderiam ser discutidos eventualmente entre a família. Dessa maneira, muitos pais se sentem receiosos em dialogar com os filhos sobre o sexo, por medo de incentivá-los a praticar relações sexuais ou pela crença que esse assunto só pertence a adultos.
Fica claro, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas públicas educativas e preventivas. Cabe o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, inserir nas grades curriculares aulas dinâmicas e interativas relacionadas à educação sexual, com o intuito de conscientizar os alunos sobre a relevância de se manter informado sobre o uso correto da camisinha e dos métodos contraceptivos para que se evite a persistência da gravidez precoce na sociedade. Ademais, é indispensável que esses órgãos também promovam palestras gratuitas nas comunidades de planejamento familiar, objetivando um estímulo de comunicação entre os pais e os filhos, por meio da desconstrução dos estereótipos e da ideia de tabu à cerca da sexualidade, a fim de que eles adquiram mais liberdade e segurança na discussão.