Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 23/10/2019

A decisão de ter e criar filhos é, geralmente, aproximada com grande cautela e apenas após alcançada a estabilidade na idade adulta. Porém, no estado de São Paulo, em 2014, dados do SEADE revelaram que 14,5% das mulheres que se tornaram mães naquele ano tinham 19 anos ou menos. A gravidade deste número se revela nos fatores negativos de ter uma mãe que não está adequadamente preparada para criar filhos, sob os quais crescerão 14 a cada 100 dessas crianças. Este quadro implica sérias consequências para o futuro do Brasil e demanda ações preventivas acerca das forças que ocasionam as gestações adolescentes.

Um dos principais fatores por trás das gravidezes em questão é a ignorância por parte dos jovens em relação ao sexo, casos nos quais nossa sociedade, escolas e famílias falharam em adequadamente disseminar informações cruciais sobre os mecanismos e riscos da reprodução humana. Nestas circunstâncias de falta de conhecimento ocorre, então, a não ereção de precauções suficientes, principalmente a aquisição e uso dirigente de meios anticoncepcionais.

Contudo, nem todas as instâncias de gestações na adolescência resultam da ausência de alertas, uma vez que a imprudência é um traço comum entre crianças e jovens, especialmente quando trata-se de um ato tão desejável quanto o sexo para aqueles que acabam de descobri-lo. Dessa forma, a insensatez desse segmento da população a respeito de atos sexuais exige o emprego de todas as ferramentas de persuasão disponíveis.

Portanto, evidencia-se a necessidade de impulsionar novas práticas a fim de combater a gravidez na adolescência das brasileiras. Para tal, o estado deve elaborar e lançar, em todo o território nacional, um programa educativo conduzido em escolas por agentes especialmente treinados, de modo similar ao PROERD, que tratava da “educação e resistência às drogas”. Esta iniciativa teria como objetivo informar a juventude, desde a puberdade, sobre o funcionamento dos sistemas reprodutivos e os riscos que eles apresentam na prática, para remediar a supracitada ignorância; assim como desenvolver a consciência dos potenciais danos ao futuro de adolescentes sexualmente ativos, particularmente através de exercícios em grupo, nos quais os alunos elaboram e apresentam a vida que desejam ter e uma outra versão dela, na qual sofrem com uma gravidez na adolescência e têm, de alguma forma, seu futuro despedaçado, o que auxiliaria na coibição da referida insensatez e na diminuição da porcentagem inicialmente apresentada.