Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 25/10/2019

“O importante não é viver, é viver bem”, segundo Platão, a qualidade de vida expressa tamanha importância de modo que transcende a da própria existência. Entretanto, a gravidez precoce durante a adolescência acarreta em múltiplos prejuízos para a qualidade de vida da gestante e do bebê, tanto no âmbito médico-psicológico, quanto no social. Assim sendo, é fundamental analisar as causas e consequências que tornam essa problemática uma realidade na contemporaneidade brasileira.

A priori, conforme o relatório divulgado em 2017 pela Organização Mundial da Saúde(OMS), o Brasil é um dos países com maiores ocorrências de gravidezes precoces do Globo, dispondo de aproximadamente 400 mil casos por ano. Sob esse viés, é essencial ressaltar que a perpetuação das desigualdades sociais, tal como o comportamento de risco comum à adolescência, são dois dos principais fatores propulsores dos altos índices nacionais. Para ilustrar, de acordo com índices estatísticos do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as condições socieconômicas mais recorrentes entre tais adolescentes são; baixa renda familiar, situação periférica e baixa escolaridade. Por suposto, a evasão escolar como causa pela responsabilidade de manter uma criança procede, posteriormente, na difícil inserção no mercado de trabalho e no desemprego, o que perpetua o ciclo da pobreza e o martírio bem-estar social desses indivíduos.

Não obstante, a atividade sexual precoce resulta, além da gravidez, em um maior risco de desenvolvimento de câncer no colo do útero, tal como a contração de IST(Infecções Sexualmente Transmissíveis), como HPV, que de acordo com a Associação Médica Brasileira, é expressivamente mais frequente entre mães adolescentes devido ao não acompanhamento médico durante a gestação. A partir de então, o maior problema se situa na infecção do bebê no útero da mãe portadora, bem como em abortos espontâneos, visto que o corpo em desenvolvimento das adolescentes não está preparado para a gravidez. Sobretudo, um período deveras conturbado comumente resulta na depressão pós-parto e na perda de perspectiva de vida, e por vezes, nos piores panoramas, no suicídio.

Destarte, com o intuito de amenizar os impactos dessa problemática, é necessário que o Ministério da Saúde, desenvolva um programa de acompanhamento médico-psicológico destinado a mães adolescentes, para prevenir tendências suicidas, abortos, e prover um pré-natal eficiente. De resto, em parceria com o Ministério da Educação, deve também incluir no currículo básico nacional, a matéria de Educação Sexual, indubitavelmente necessária para a baixa de ocorrências de gravidezes indesejadas e evasão escolar no Brasil, tal como de IST, uma vez que instrui aos adolescentes maneiras seguras de lidar com a sexualidade. Feito isso, aos poucos os conflitos vivenciados não serão realidade.