Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 24/10/2019
A série americana “The Society” conta a história de uma cidade em que os adultos desaparecem, misteriosamente, de uma noite para outra, deixando os jovens sozinhos. Apesar de não ser a trama do longa-metragem, os problemas enfrentados por Becca, uma garota que engravidou na adolescência, são evidenciados ao longo dos episódios. Fora da ficção, no Brasil, milhares de jovens, como a protagonista, sofrem as consequências da gravidez precoce, em virtude da ausência da escola atrelada à falta de investimento
Nesse contexto, é importante ressaltar, a priori, que a omissão escolar é fator preponderante para a continuidade dessa mazela. Sob essa perspectiva, Kant preconiza que o homem é aquilo que a educação faz dele. Assim, um problema social tem como base uma lacuna educacional. Nesse sentido, mesmo que conste nas Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a educação sexual ainda não é prioridade do governo, o que gera um perpetuação de gravidezes precoces pela ausência de conhecimento dos jovens. Esse fato é observado na reportagem do “Profissão Repórter” sobre a temática, a qual demonstra que o debate acerca do tema é negligenciado pelas instituições de ensino.
Ademais, a falta de investimentos estatal na saúde corrobora o quadro atual. Sob esse viés, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o investimento em saúde no Brasil está abaixo da média global. No entanto, para tratar de problemas complexos como a gravidez na infância, torna-se necessário o investimento massivo em políticas públicas de conscientização e prevenção. Nesse sentido, a ausência adequada de investimentos se torna um impeditivo para a resolução do problema, o que acaba por ferir os direitos previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, sobretudo no que tange ao dever do Estado perante a proteção da criança.
Fica claro, portanto, que a falta de desvelo governamental e educacional são um entrave para a mitigação da situação. Nesse ínterim, com o fito de conscientizar a população, é dever do Ministério da Educação, em parceria com a mídia, informar a população sobre os métodos de prevenção por meio de propagandas e palestras, com médicos e psicólogos, a serem webconferenciadas nas redes sociais e na televisão aberta. Tal ação também deve ser complementada pelo trabalho dos Médicos da Família, profissionais que, por meio de visitas regulares as famílias das cidades, podem garantir a conscientização e o planejamento familiar. Feito isso, os casos de gravidez de jovens, como o de Becca, poderão ficar na ficção.