Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/10/2019

No filme “Preciosa - uma história de esperança”, a personagem “Claireece” sofre abusos no seio da família e, com 16 anos, está grávida pela segunda vez. Nesse sentido, fora das telas, no Brasil, a gravidez precoce é um problema de saúde pública, tornando urgente medidas que revertam essa situação.

Antes de tudo, é preciso destacar a falta de diálogo como uma das raízes do problema. Decerto, para algumas famílias, falar sobre sexo ainda é um tabu, conceito que segundo Freud, reprime os indivíduos e impede a comunicação, perpetuando as dúvidas. Convém lembrar ainda, que ocorre uma terceirização da educação sexual para as escolas, que devido a um modelo engessado de ensino, apresentam apenas aspectos biológicos, deixando, muitas vezes, o planejamento familiar e a gravidez em segundo plano, o resultado é o desamparo dos jovens.

Somado a isso, para Zygmundt Bauman, na “modernidade líquida”, as relações são fragilizadas e passam a ser conexões. Nesse contexto, a internet catalisa as relações casuais, nas quais, os jovens agem por impulso, em busca da satisfação momentânea e não se preocupam com as consequências de seus atos. Isso, torna-se evidente, segundo o Ministério da Saúde, na baixa preocupação com a prevenção, visto que, 45% dos jovens, entre 15 e 24 anos não utiliza preservativos, aumentando o risco de uma gravidez indesejada e de infecções sexualmente transmissíveis.

É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de modificar esse panorama. Nesse sentido, o Ministério da Saúde tem papel fundamental, ele pode promover palestras trimestrais nas escolas, nas quais, um médico vai abordar, de forma clara e objetiva, o planejamento familiar, abrindo um espaço para diálogo e discussão das principais dúvidas dos discentes, em adição, disponibilizar equipamentos de preservativos nas instituições, para garantir a informação e o acesso aos métodos contraceptivos. Dessa forma, impedindo a reprise de cenários como o do filme.