Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 26/10/2019
No século XVIII,o iluminista Voltaire,em ‘‘Cândido, ou o Otimismo’’,promovera profunda ruptura com a filosofia romântica de Leibniz ao ironizar a compreensão de que se vivia no melhor dos mundos possíveis.Contemporaneamente, o panorama de negligência estatal e exclusão de minorias parece definitivamente legitimar as ideias protagonizadas pelo pensador francês.Com efeito,compreender e transformar o complexo panorama de aumento da gravidez adolescente no Brasil, mostra-se um afazer de indubitável relevância.
Em uma primeira perspectiva,o crescimento dos índices de fecundidade adolescente ergue-se como uma realidade em decorrência da inércia governamental.Isso porque o Estado secundariza causas sociais que não se mostrem úteis ao fisiologismo de sua agenda, visto que, acastelado pelos seus governantes,ocorre a priorização de gastos em benefício próprio,como salários exorbitantes,em detrimento de investimentos em saúde e tratamento universais e adequados às jovens mães.O filósofo britânico Thomas Hobbes,nesse sentido, em ‘‘O leviatã’’,desvela que o Governo,como apaziguador social,deveria garantir o bem-estar social.Essa reflexão materializa-se no presente momento do país,na medida em que o Poder Público descumpre seu papel, o que pode trazer consequências graves às mães, em função de serem diagnosticadas com gravidez de alto risco.
Ademais,em segundo plano, a elevação das estatísticas de gestação juvenil arquiteta-se como expressão da inação social.Essa conjuntura instaura-se devido ao resultado de expressiva parcela populacional omitir-se diante de problemas sociais,já que considera que manter-se inerte é preferível a mobilizar-se e pressionar o Governo por mudanças.Essa afirmativa possui estreita relação com a premissa defendida por Félix Guattari e Gilles Deleuze,em ‘‘Mil Platôs’’,de que a contemporaneidade produz corpos dóceis,com o intuito de torná-los apáticos e,consequentemente,compactuarem com a realidade existente.Desse modo,a coletividade não manifesta-se a favor da ampliação de políticas sociais às grávidas precocemente e essa minoria permanece excluída ou negligenciada.
A displicência do Estado e a compactuação da sociedade,portanto,instauram o panorama de alargamento dos dados de gravidez precoce.Assim,o Poder Executivo Federal,sob a forma de Ministério da Saúde,deve promover políticas de inclusão social,por meio de incentivos a empresas privadas que,em contrapartida,invistam na construção de clínicas e unidades de saúde populares,especializadas em Medicina Fetal adolescente, em paralelo à conscientização da população sobre a causa,por intermédio de propagandas publicitárias em horários nobres.Dessa forma, as cidadãs seriam dignificadas,e a filosofia romântica de Leibniz poderia,enfim,tornar-se realidade.