Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2019
A gravidez na adolescência no Brasil é um problema em evidência e que necessita ser atenuado. Nesse viés, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), a gravidez na adolescência no Brasil supera média da América do Sul e, além disso, o país tem mais adolescentes grávidas do que vizinhos como Paraguai e Colômbia, que possuem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) menor. Diante da constatação exposta, dois aspectos fazem-se relevantes: o baixo nível de escolaridade e o tabu atrelado a temática sexual.
Primeiramente, cabe pautar que o baixo nível de escolaridade dos brasileiros está diretamente relacionado com os elevados indicadores de gravidez precoce. Nessa conjuntura, ressalta-se a máxima do educador e ex-presidente de Harvard: “se você acha que a educação custa caro, experimente a ignorância”, o que, convergindo para a temática da gestação na adolescência, reflete que, o governo, ao economizar em políticas educacionais, acaba por gasta em medidas assistencialistas. Ao encontro desse pensamento, a gravidez entre a puberdade e os 19 anos é uma condição de risco em que os partos prematuros, a maior chance sequelas e de morte, tanto materna quanto fetal, e a desestabilização na vida dos adolescentes, exemplificam algumas dos efeitos colaterais ocasionadas pela falta de informação e de autoconhecimento.
Em segunda análise, o tabu intrínseco à questão sexual é, também, influente sobre os altos índices de gravidez na adolescência. Nesse sentido, é consenso que a sexualidade possui um caráter jocoso na sociedade e, por outro lado, também possui, por influência das religiões monoteístas, uma parcela pecaminosa. Ou seja, há, na sociedade, um “tabu” que prejudica o diálogo aberto sobre o tema e, assim, a orientação dos mais jovens sobre o assunto fica comprometida, os quais, por sua vez, ficam mais propensos a doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez não planejada. Minimizar essa visão censurada, portanto, contribuiria para diminuir o problema em questão.
Logo, cabe ao poder legislativo propor e aprovar, mediante a participação estudiosos da área educacional, uma lei que torne o ensino médio obrigatório para menores de 18 anos, assim como ocorre no ensino fundamental, para que, dessa forma, eleve os níveis de escolaridade e de instrução da população brasileira. Concomitantemente, cabe ao Ministério da Saúde incentivar, mediante isenções fiscais, que empresas do ramo midiático retratem – em novelas, filmes e séries – as consequências negativas de evitar, na família e na escola, o diálogo sobre sexo, a fim de, por meio dessa dramatização, conduzir a população à reflexão e a conscientização sobre o tema. Por conseguinte, a partir do conjunto de ações supracitadas, os índices de gravidez na adolescência diminuirão.