Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2019
O documentário brasileiro “Meninas: gravidez na adolescência” acompanha a gestação de quatro jovens, mostrando seu cotidiano e retratando seus sonhos, desejos e planos perante a maternidade não planejada. De maneira análoga, nota-se que a gravidez na adolescência é um grave problema que afinge o corpo social brasileira, representando, segundo o IBGE, cerca de 17,3% da taxa de fecundidade total do país. Assim sendo, torna-se necessário entender que essa situação é um reflexo de vários fatores, entre eles a falta de comunicação sobre temas relacionados a sexualidade e a romantização da maternidade pela mídia.
Em primeiro plano, é importante notar que, como a sexualidade é tratada com um tabu pela sociedade brasileira, o número de gravidezes precoces tende a aumentar. O Brasil é um país que possui heranças de uma sociedade colonial que, além de ser sexista, era extremamente conservadora. Assim sendo, esses valores se propagam até os dias atuais e, como geralmente ocorre em sociedades mais conservadoras, o sexo, principalmente quando se trata de adolescentes, é um assunto vetado. Como consequência, os jovens, despreparados para possuir uma vida sexual segura com o uso correto de métodos contraceptivos, acabam sendo vítimas de sua própria ignorância e acontecimentos como gravidez indesejada e propagação de IST’s acontecem.
Por conseguinte, vale ressaltar que a romantização da maternidade pelas mídias contribuí para o alto número de casos de gravidez entre os adolescentes. Segundo Durkheim, as pessoas são influenciadas pelos valores da sociedade em que vivem e, mediante isso, os veículos de comunicação de massa servem para transmitir comportamentos e valores considerados ideais. Desse modo, é perceptível como a televisão brasileira, principalmente as novelas, ressaltam os lados positivos da maternidade e como isso faz bem para a mulher e acabam evitando abordar as questões difíceis que várias mães precisam enfrentar perante sua nova realidade.
Infere-se, portanto, que reduzir o número de casos de gravide precoce é um desafio. O Ministério da Educação (MEC), juntamente com às escolas, deve criar palestras, oficinas e aulas nas escolas que abordam temas relacionados a educação sexual e o uso correto de métodos contraceptivos, a fim de garantir um maior acesso à informação para esses jovens, evitando assim gravidezes nessa faixa etária. Aliado a isso, as mídias, com apoio do Ministério da Saúde, devem criar propagandas que visam alertar as jovens sobre as dificuldades relacionadas a ser mãe cedo e como isso afeta toda sua vida, com intuito de quebra essa romantização da gravidez na sociedade. Feito isso, a realidade mostrada no documentário “Meninas: gravidez na adolescência” poderá ser alterada.