Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/10/2019

No livro “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, no Brasil atual, observa-se um cenário antagônico àquele presente na obra de More, posto que as altas taxas de gravidez na adolescência acarretam uma barreira ao pleno funcionamento da sociedade. Esse é um problema de grande importância na contemporaneidade, pois se relaciona com a falta, ou dificuldade, de acesso à informação a respeito de saúde sexual e reprodutiva pelos mais jovens; e ocasiona déficits tanto às adolescentes quanto à sociedade como um todo.

Primeiramente, é relevante analisar que as altas taxas de gravidez na adolescência são resultado direto da deficiência presente no sistema de ensino brasileiro acerca de educação sexual. Mesmo sendo de vital importância para a consicentização dos jovens, a discussão sobre sexualidade e reprodução é encarada como tabu na sociedade, corroborando para a dificuldade de abordagem do assunto nos âmbitos famliar e escolar. Entretanto, revela-se um fato que, em posse do conhecimento dos métodos de prevenção à gravidez, como a contracepção de emergência e os métodos de barreira não convencionais, como o preservativo feminino, o indivíduo se torna apto a se apoderar dos mesmos quando for necessário, reduzindo, assim, os riscos de uma gestação indesejada.

Ademais, verifica-se que os impactos de uma gravidez quando ainda se está na adolescência afetam de maneira significativa a vida das garotas acometidas e culminam em prejuízos à sociedade. O desenvolvimento psicossocial das adolescentes acaba alterado em decorrência das questões familiares e de saúde que são consequências da gestação. Dessa forma, gera-se uma expectativa de afastamento da cidadã do cenário escolar, provocando uma situação que rompe os princípios de uma educação democrática.

Portanto, diante dos argumentos expostos, fica evidente que medidas precisam sem tomadas para impdir o avanço da problemática na sociedade brasileira. Urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, através de recursos direcionados pelo Tribunal de Contas da União, crie um plano de promoção de aulas voltadas para a educação sexual, tanto no ensino público fundamental quanto no médio, para promover, desde cedo, a saúde sexual e reprodutiva dos cidadãos. Educadores especializados na área seriam contratados e um currículo mínimo obrigatório deveria ser produzido para garantir a eficácia do esforço em todo o território nacional. Assim, instruindo os adolescentes desde cedo a respeito dos temas relacionados à saúde sexual e reprodutiva, a sociedade brasileira se aproximaria mais dos propósitos utópicos pregrados por More.