Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/10/2019
No livro “Cem anos de solidão”, do escritor Gabriel Garcia Marques, é retratada a personagem Remédios, ainda muito jovem, que se casa com Aureliano , e ela morre após o casamento, devido a uma gravidez de risco. Fora da literatura, o Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada, revela que 1 em cada 5 crianças possui mãe com idade entre 10 e 19 anos, o que demonstra quão altas são as taxas de adolescentes que, correm riscos por causa de gestações precoces. Por isso, faz-se necessário analisar o contexto familiar, no que tange a educação ofertada, e, também, o entrave histórico-cultural que coíbe a discussão sobre sexualidade, fatores que contribuem para as altas taxas de gravidez.
A princípio, é preciso entender que com o advento da indústria e a modificação social que ela trouxe, as famílias perdem parte do tempo que antes era destinado ao núcleo familiar. E sendo essa instituição a responsável pela educação moral, danos serão causados a longo prazo, no modo como é estruturada a sociedade, o que pode resultar no aumento do número de gestações na adolescência. Isso se dá devido à constante terceirização da educação dos filhos, que é falha quanto à transmissão de valores, não ensina que a vida sexual exige responsabilidades, e que a falta destas traz prejuízos, o que, por consequência, resulta em um maior número de jovens que adquirem conhecimento sobre o sexo na prática, expondo-se a DSTs e à gravidez precoce.
Ademais, a influência histórica que a igreja tem sobre a sociedade, inclusive no modo como é visto o tema sexo, faz com que o assunto seja pouco debatido na esfera social. Dessa forma, retêm informações que deveriam ser compartilhadas com os adolescentes, que têm iniciado cada vez mais cedo a vida sexual. Não obstante, quando há iniciativas de promover a educação sexual em escolas, justamente por considerar que a família não tem feito o seu papel nessa área, como já discutido, os educadores são alvos de sanções sociais e de órgãos administrativos que não respeitam a laicidade do Estado. E sendo o homem fruto da educação, como o princípio Kantiano afirma, o não investimento em instrução sexual só pode resultar no constante aumento do número de adolescentes grávidas.
Portanto, torna-se evidente, que é por meio da educação que a gravidez precoce será combatida, por isso, cabe ao MEC a promoção de palestras com especialistas em sexualidade juvenil, em escolas de nível médio e de debates que incluem família sobre a importância da responsabilidade sexual, para que assim os conhecimentos necessários. Além disso, o Ministério da Saúde deve abrir um canal informativo, por meio da internet, que promova a propagação da educação sexual, para que qualquer dúvida relacionada à vida sexual possa ser sanada e os adolescentes estejam conscientizados e aptos para essa fase.