Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Em 2017 foi lançado o filme Juno, que conta a história de uma adolescente de 16 anos que acaba engravidando, após ter uma relação sexual com seu amigo. A trama mostra o drama vivido pela jovem, introduzida tão cedo na maternidade, e a decisão de entregar seu filho para um casal que sonhava com a chegada de um bebê em suas vidas. Mesmo se ausentando da criação da criança, a garota passa por um processo que muda sua vida, deixando marcas difíceis de serem apagadas. Tal situação mostra-se, infelizmente, evidente no Brasil há muito tempo -tendo-se em vista que, cada vez mais adolescentes estão engravidando- e, tem sua causa atribuída ao patriarcado e à periferização das cidades.
Em primeiro lugar, é fato que, a gravidez na adolescência não é um tema atual e está presente nas sociedades desde as civilizações antigas. Em Roma, era algo enraizado na vivência e cultura dos povos, dado que até os catorze anos as garotas deveriam se casar para, finalmente, darem início à maternidade (função que lhes era atribuída). Mesmo sendo distante, é uma realidade extremamente perceptível no modo de vida patriarcal brasileiro que é cultivado desde a colonização e torna-se preocupante, pois insere as meninas, a partir de seus nascimentos, num regime conservador que as limita a uma vida doméstica e materna. Pode-se citar como prova, o fato de que os homens tiram apenas alguns dias de licença do trabalho quando se tornam pais, enquanto às mulheres são concedidos aproximadamente seis meses, tornando clara a atribuição dos cuidados da criança apenas ás mães.
Em segundo lugar, a gravidez na adolescência é mais presente na vida das garotas das periferias, já que nessas regiões o acesso à educação e às informações é extremamente reduzido. A falta de apoio por parte da família e das instituições, gera um ambiente suscetível à evasão escolar e à pobreza, pois essas meninas terão seu acesso aos cuidados básicos extremamente reduzido. Isso é muito preocupante, porque além de oferecer riscos à saúde das mães e das crianças, também causa um rompimento das socializações, realizações pessoais e da liberdade que cada indivíduo tem direito. Portanto, diminuir os impactos negativos das gravidez na adolescência não é tarefa fácil, porém, torna-se possível por meio de campanhas e reformas educacionais. Para isso, o Ministério da Educação deve tornar obrigatório o ensino da educação sexual em todas as escolas, com o objetivo de dinamizar as informações sobre a prevenção e os malefícios da gravidez na adolescência. Além disso, o Sistema Único de Saúde deve propor ações nas áreas mais carentes das cidades, para prestar assistência às garotas que estiverem passando por esse problema e tentar evitar os abortos clandestinos que colocam em risco suas vidas. Assim, será possível devolver a essas jovens o direito de viverem sua juventude.