Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 28/10/2019
No livro “Clara dos Anjos” de Lima Barreto o autor discorre sobre a vida de uma jovem negra e suburbana – Clara- criada por pais protetores e muito bem educada. Contudo, ela apaixona-se por um rapaz – Cassi- que a engravida, não assume a paternidade e transforma a vida da garota em amarguras, dores e medos. Fora do contexto literário, a gravidez na adolescência encontra-se em evidência na sociedade brasileira e constitui um desafio pois manifesta-se, principalmente, entre meninas moradoras da periferia e com baixo grau de instrução escolar desencadeando a geração de um ciclo vicioso de pobreza, visto que a evasão escolar devido a prenhez faz com que elas não cheguem ao mercado de trabalho e tampouco ao ensino superior.
Em primeiro lugar, destaca-se que o índice de gravidez precoce é maior dentro das periferias. De acordo com Mariana Varella- doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo- “a maioria das mães adolescentes são negras, possuem baixa escolaridade e residem, majoritariamente, nas periferias do país.” Ademais, segundo o filosofo Rousseau “o homem é bom por natureza e a sociedade o corrompe” evidenciando a teoria determinista que coloca o ser humano como produto do “meio” onde vive. Dessa forma, nota-se que enquanto essas jovens não saírem desse “meio” e explorarem novas oportunidades – através da educação- esse ciclo vicioso será quebrado.
Outrossim, conforme postulado por Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele.” Notabilizando a correção entre grau de instrução escolar e gestação antecipada. Nesse sentido, segundo a revista UOL, “ a proporção de grávidas por região aumenta, ao passo que, o grau de instrução diminui.” Sob tal ângulo é indubitável que a educação relaciona-se diretamente com o combate da gravidez precoce. Sendo assim, o sistema educacional torna-se um agente indispensável para as mulheres acerca da conscientização sobre gravidez na adolescência, e consequentemente, na ascensão social delas.
Portanto, evidencia-se a interligação entre gestação imatura e papel social da escola. Destarte, é mister que o MEC, por meio da inclusão da educação sexual na grade curricular promova debates, palestras e oficinas com docentes capacitados a serem ministradas semanalmente em horário escolar –principalmente nas escolas das periferias- que objetivem ensinar o planejamento familiar e o uso de contraceptivos, a fim de diminuir a incidência de gravidez precoce, evitar a evasão escolar e elevar o grau de escolaridade dessas adolescentes conferindo a elas um crescimento estudantil e profissional. Com isso, o destino dessas jovens será oposto ao de Clara, fazendo com que elas desfrutem de um futuro mais digno a partir do acesso à educação e da quebra desse ciclo vicioso de pobreza.