Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Até o início do século XX,sabe-se que o papel social da mulher era considerado essencialmente como o de progenitora e,por conseguinte,assim que se tornavam “aptas"biologicamente a engravidarem,as meninas precisavam buscar um marido para gerar descendentes.No panorama hodierno brasileiro,embora o índice de gravidez na adolescência ainda seja elevado,ele é motivo de indignação e preocupação.Assim,é factual que tal problemática é reflexo de uma disparidade socioeconômica,que ocasiona imbróglios como a evasão escolar,bem como riscos à saúde de meninas despreparadas.

Primeiramente,é imperioso ressaltar como a desigualdade social influencia diretamente a construção da ideia de relações sexuais seguras,de modo que muitas jovens de baixa renda não têm orientação informacional suficiente para convencê-las de usar preservativo.Segundo o sociólogo Émile Durkheim,a sociedade atua como um corpo biológico,na qual cada órgão tem a sua função e,por conseguinte,é imprescindível o cumprimento de todas as ações,a fim de que haja o bom funcionamento coletivo.Nesse viés,nota-se como a discrepância de oportunidades intensificada pelo Estado gera um efeito tal qual a metástase no corpo humano,uma vez que ocorre um círculo vicioso no qual a gravidez impede adolescentes de concluírem o ensino.Dessa forma,tal evasão escolar é prejudicial tanto à mãe,que não terá oportunidade de ascensão social,quanto ao filho,o qual passará por dificuldades.

Destarte,urge analisar como tal problemática,acentuada pelas desigualdades do capitalismo,é uma questão de saúde pública,haja vista as inúmeras mortes de gestantes e bebês devido ao despreparo físico/psicológico para o parto.Dessa maneira,pode-se exemplificar o exposto ao observar o dado do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria,de que cerca de 20% da mortalidade infantil no país decorrem do óbito de bebês de mães adolescentes.À vista disso,é notório que uma gestação não planejada,sobretudo,por menores de idade,é altamente arriscada,pois há maior possibilidade de nascerem crianças prematuras ou subnutridas,bem como há perigosos à mulher,como a elevação da pressão arterial,aborto espontâneo e anemia.

Fica evidente,portanto,a urgência de se combater esse imbróglio que prorroga o ciclo de pobreza no país.Assim,o Ministério da Saúde,aliado ao Ministério da Educação,deve reforçar a importância do uso de camisinha nas relações sexuais para que as gestações precoces sejam reduzidas.Para isso,o Estado deve investir financeiramente na divulgação de métodos de proteção,bem como alertar quanto aos riscos dessa gravidez,contando com orientação médica,principalmente,nas escolas através de palestras e cartilhas explicativas.Desse modo,o índice de gestação na adolescência poderá ser diminuído,possibilitando o término do ensino de meninas,a fim de que elas consigam melhorar de vida.