Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Escolha irreversível

A ONU estabeleceu a data 26 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção à Gravidez na adolescência e promoveu campanhas internacionais de educação sexual. Entretanto, esse combate iniciado pela ONU ainda se mostra ineficiente na sociedade brasileira, haja vista que a gravidez precoce perdura na realidade de milhares de meninas e de meninos no país. Desse modo, há de se desconstruir a imprudência enraizada entre os jovens e os prejuízos da gravidez precoce.

A princípio, o problema advém, em muito, de uma cultura difundida internacionalmente e que encontrou forças para se perpetuar no Brasil. A esse respeito, o movimento Contracultura norte-americano, ocorrido na década de 60, mostrou uma juventude que utilizou a sexualização em resposta ao tradicionalismo e às imposições sociais da época. No entanto, essa banalização do ato sexual foi absorvida pela juventude brasileira e traz prejuízos em um país que ainda é precário e ineficiente ao combate à reprodução entre as adolescentes. Todavia, não é razoável que uma nação que almeja tornar-se desenvolvida se mantenha negligente a esse cenário.

De outra parte, a gravidez precoce fragiliza a saúde materna. Ocorre que o endométrio — conhecido popularmente como parede do útero — é responsável pela manutenção e pela nutrição do feto e apenas atinge sua maturação aos 21 anos. Nesse sentido, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possuí uma taxa elevada de gravidez entre as adolescentes de 15 e 19 anos, assim, inviabilizando a saúde das jovens. À vista disso, enquanto a gravidez precoce for  regra, as adolescentes terão que conviver com abortos espontâneos, partos prematuros e até  — o risco de morte.

Impende, pois, que a gravidez na adolescência seja repudiada no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério de Saúde, em parceria com os meios televisivos de concessão estatal, desenvolver campanhas publicitárias que alertem, com veemência, o risco irreversível da gravidez precoce, como abortos espontâneos e a má formação do feto. Ademais, a família deve viabilizar a educação sexual desde o início da adolescência, por intermédio de diálogos frequentes sobre sexualidade. Essa inciativa teria como finalidade combater a gravidez precoce e proporcionar uma educação consciente e responsável de meninas  e de meninos — como preconiza o dia 26 de setembro.