Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Segundo o filósofo romano Sêneca, “a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda a vida”. Partindo dessa perspectiva, é possível estabelecer a importância sobre a conscientização dos indivíduos para que a gravidez na adolescência seja evitada. Esse tema, por interferir diretamente na vida dos pais, principalmente no desenvolvimento intelectual e econômico da mãe, necessita estar em evidência no Brasil. Por isso, é imprescindível que seja realizada uma análise sobre os fatores causais desse fenômeno e sobre suas consequências na vida pessoal das progenitoras.
Em primeiro lugar, é imperioso ressaltar os motivos propulsores dessas ocorrências gestacionais precoces no país. Nesse cenário, por não existirem políticas eficientes de conscientização dos jovens nas escolas, como matérias sobre o tema na base nacional comum curricular, o problema não recebe a importância devida, o que ocasiona a não retração de seus índices. Dentro dessa ótica, uma pesquisa realizada pela OMS - Organização Mundial da Saúde -, no ano de 2018, revela que a cada 1000 mulheres brasileiras, na faixa de 15 a 19 anos, 68 engravidam, o que leva o país a apresentar uma taxa maior que a média latino-americana. Portanto, para a reversão desse quadro, é indispensável a tomada de medidas.
É substancial expor, também, as consequências geradas às adolescentes que se tornam mães antecipadamente no Brasil. Nesse viés, pelo filho necessitar de cuidados, elas têm seus objetivos pessoais, como estudar e trabalhar, consideravelmente prejudicados. À vista disso, o filme brasileiro “Que horas ela volta?” conta a história da jovem Jéssica, mãe antes dos 20 anos e que, devido a isso, apenas conseguiu realizar o vestibular deixando o filho sob cuidados de amigos e parentes no período em que esteve fora. Desse modo, evidencia-se a clara necessidade de um ponto de inflexão nessa conjuntura prejudicial.
Dessarte, para que os casos de gestação precoce diminuam no Brasil, urge ao Ministério da Educação criar, com recursos próprios, programas semestrais que explanem em instituições de ensino públicas e particulares as formas de prevenção contra essa ocorrência e suas possíveis iniquidades sobre a vida pessoal. Essa iniciativa deve ser realizada por meio de debates mediados por pedagogos e psicólogos com alunos do 8° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio. Essa ação, por sua vez, precisa objetivar a conscientização desses jovens, com a finalidade de que esse fenômeno gestacional seja reduzido e para que quadros como o de Jéssica não sucedam mais. Assim, haverá meios para que essa problemática cesse no país.