Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Na Grécia Antiga, os casamentos eram realizados na adolescência com o intuito de promoveram a passagem dos indivíduos à vida adulta e cidadania plena. Nesse sentido, na modernidade, pode-se evidenciar que tal fato constitui um desafio quando acompanhado da gravidez precoce, pois a formação educacional e econômica ainda está em desenvolvimento no jovem. Nessa situação, vislumbra-se a ineficiência do relacionamento familiar e o resultante distanciamento do âmbito escolar como impasses potencializadores da problemática.

Em primeiro lugar, sob viés de Aristóteles, no livro: “Ética a Nicômaco”, é legítimo postular que os valores morais não nascem com o indivíduo e, por isso, devem ser ensinados desde a infância pela família, a exemplo de uma criança que deve ser ensinada até reconhecer as normas da sociedade. Nesse raciocínio, os conhecimentos sobre sexualidade complementam essa totalidade moral. Todavia, é fidedigno compreender que o descumprimento desse papel repercute em uma violação social na medida em que a desinformação sobre métodos anticonceptivos do adolescente pode promover a formação de gestações indesejadas. Dessa forma, torna-se definido, de maneira aprofundada, a vertente negativa da incomunicação familiar como fator determinante da gravidez na adolescência.

Nessas circunstâncias, é fulcral conceber tal negligência familiar como princípio da evasão escolar da jovem. Isso porque o comparecimento da aluna gestante na escola constitui um complexo desafio, no qual pode ser intensificado e ocasionar a desistência escolar, a exemplo de náuseas. Em face disso, à guisa da perspectiva do filósofo Paulo Freire, na obra: “Pedagogia do Oprimido”, opõe-se a tal conduta na proporção em que constata a necessidade da instrução educativa para a mudança das desigualdades sociais existentes. Desse modo, verifica-se o efeito maléfico da inadimplência familiar no afastamento escolar das meninas, tendo em vista que a pesquisa da Fundação Abrinq de 2019, infere que 30% das mães de até 19 anos não concluíram o ensino fundamental.

Destarte, a gestação na adolescência é um enigmático obstáculo moderno e necessita de resolução. Nessa perspectiva, as instituições públicas de ensino - provedoras de educação - devem fortalecer o conhecimento sobre sexualidade da família e jovens. Isso deve ocorrer por intermédio de reuniões, palestras e entrevistas, com a participação de educadores e sociólogos, objetivando o incentivo às relações frequentes no âmbito familiar da temática e a conscientização sobre os efeitos da gravidez precoce até o distanciamento escolar na juventude. Assim sendo, construir-se-á uma conscientização adequada para reduzir a recorrência da gestação na adolescência, possibilitando que tais ideais da Grécia Antiga sejam infrequentes.