Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 29/10/2019
No filme “Preciosa”, disponibilizado pela plataforma de streaming Netflix, é mostrada a história de uma garota que fica grávida durante a sua adolescência e passa por diversos problemas sociais em decorrência disso. Fora da ficção, tal situação é recorrente no Brasil, em que a gravidez nesse período da vida se torna um problema de saúde pública. Nessa ótica, ela ocorre na adolescência devido não só ao casamento infantil, mas à falta de uma educação sexual, necessitando-se de medidas para atenuar os entraves.
Antes de tudo, é importante destacar que o casamento infantil é uma das principais causas da gravidez de adolescentes. Quanto a essa questão, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Brasil é o primeiro país no ranking de casamentos infantis da América Latina e está em quarto lugar no pódio mundial. Dessa forma, é comum que nesses casamentos ocorram relações sexuais e, posteriormente, a produção de filhos. Como consequência disso, essas pessoas ficam à mercê de seus maridos, seja por questões financeiras ou por questões emocionais, e acabam por abandonar os estudos e suas famílias, prejudicando, assim, o seu futuro.
Além disso, cita-se o papel das escolas na educação sexual dos jovens. A respeito disso, segundo o filósofo Émile Durkheim, as instituições sociais têm um papel de moldar o indivíduo perante a sociedade. Nesse contexto, quando não há informações sobre métodos contraceptivos e sobre as consequências de uma gravidez não planejada, os adolescentes desinformados acabam por praticar o ato sexual sem levar em conta os seus perigos. Desse modo, a cada mil adolescentes brasileiras entre 15 e 19 anos, 68,4 ficaram grávidas. Em decorrência disso, tal realidade corrobora com o aumento de morte durante o parto, haja vista que o corpo - ainda em desenvolvimento - das adolescentes podem não suportar o feto, além de que elas não possuem capacidades psicológicas suficientes para cuidar de um outro ser.
Portanto, medidas devem ser tomadas para amenizar a problemática exposta. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por meio de palestras nas escolas, instruir os alunos quanto às questões sexuais e relacionais. Nesse âmbito, as palestras devem mostrar os perigos da gravidez não planejada e mostrar métodos contraceptivos, sem, entretanto, estimular à prática sexual precoce. Outrossim, ela deve alertar os interlocutores quanto ao casamento infantil, mostrando como as pessoas mais velhas agem para persuadir e ganhar a confiança dos mais novos, além de mostrar e como se combater tal prática. Com essas medidas, situações como as ocorridas em “Preciosa” diminuirão no país.