Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Em “Elite”, série original da Netflix, Marina é uma jovem que engravida ainda na adolescência, o que colabora para que a garota tenha que lidar com uma série de complicações. Fora da ficção, a questão da gravidez na adolescência configura-se como uma problemática, uma vez que insuficiências educacionais ligadas à omissão dos pais, corroboram na criação de obstáculos para a resolução de tal problema. Nesse sentido, subterfúgios precisam ser encontrados para reverter o quadro atual.

Em primeiro plano, vale destacar a importância da educação para o desenvolvimento saudável das crianças e adolescentes. Segundo a Constituição de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico do país, o Estado é definido como responsável por oferecer, em todas as vertentes, a educação. Todavia, se torna perceptível que o mesmo se faz ineficiente no que diz respeito à educação sexual, já que, de acordo com a Organizacao de Saúde Pan-americana, as taxas de gravidez na adolescência continuam altas, com efeito, na parcela mais marginalizada da população, que, frente à desinformação, permanece inerte em relação ao problema.

Ademais, cabe frisar que, na adolescência frente às responsabilidades advindas da vida adulta, alguns jovens, principalmente os pais, preferem fugir da responsabilidade da gravidez. Na música “Tomo na Pepeka”, é explicitamente incentivado o abandono dos pais após a gravidez, responsabilizando apenas as mães pelo ocorrido. Assim, frente ao preconceito cristalizado de uma sociedade machista e patriarcal, muitas das crianças que vieram de relações não pensadas, têm que lidar com os frutos da inconsequência de seus pais, principalmente, no que diz respeito a conflitos

Portanto, para prevenir a gravidez na adolescência, urge que o Ministério da Saúde instrua as crianças e adolescentes, por meio de palestras e seminários nas escolas, sobre métodos contraceptivos, sugerindo o uso de preservativos nas relações sexuais. Ademais, com o intuito de diminuir o índice de mães solteiras na adescencia, é necessário que a Secretária Especial de Comunicação incentive, por meio de propagandas, a desconstrução de convicções machistas e patriarcais que, ainda hoje, dificultam o processo de gravidez na adolescência. Dessa maneira, será possível garantir a responsabilidade estatal, destruir preconceitos cristalizados e, finalmente, evitar situações que, assim como em “Elite”, têm sido reproduzidas na vida real.