Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea no Brasil, é o oposto, uma vez que a dificuldade para se combater a gravidez na adolescência apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave empecilho, em virtude da baixa divulgação de ações governamental já aderidas e a falta de conhecimento sobre a educação sexual.
Precipuamente, é fulcral que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto, isso está em déficit no país. De maneira análoga, é possível perceber que, a falta de divulgação sobre a prevenção da gravidez rompe essa harmonia, haja vista que apesar do governo ter instituído por meio da Lei 13.798/19, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, envolvendo diretamente quatro ministérios - Saúde, família, cidadania e educação - onde prevê a além da prevenção, apoio profissional qualificado, ações educativas e pesquisas voltadas para os impactos gerados para as adolescente, não basta se a divulgação sobre tais feitos não forem recorrentes.
Outrossim, destaca-se a falta de educação sexual entre os familiares e a profissionais da educação como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de cada cinco bebês que nascem, um é filho de adolescente entre 15 e 19 anos, reforçando a importância de informar e orientar os jovens sobre a proteção necessária nas atividades sexuais e sua consequências. Tais informações não servem para estimular os jovens, e sim evitar uma gestação precoce e a transmissão de doenças.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que Ministério da Saúde invista em políticas de educação em saúde e em ações para o planejamento reprodutivo, como a Caderneta da Saúde do Adolescente e a divulgação dos programas como a Saúde da Família, que aproxima os adolescentes aos profissionais de saúde, o Programa Saúde na Escola (PSE), que oferece informação de saúde no ambiente escolar e pelas redes midiáticas, muito acessado por esse público. Assim, atenua-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da gravidez na adolescência, e a coletividade alcançará a Utopia de More.