Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/10/2019

O filme “Juno”, aclamado pela crítica em 2007, retrata a realidade de uma garota norte-americana que engravida na adolescência e tem que enfrentar inseguranças e o majoritário preconceito social de uma gravidez precoce. Nesse sentido, na conjuntura brasileira, a gravidez na adolescência é uma problemática multifatorial que mantém-se inerte devido à falta de informações sobre sexo e sexualidade e uma indubitável lacuna na formação familiar. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover medidas preventivas para equacionar o problema.

A priori, é imperioso destacar o protagonismo de tabus sociais na resolução do impasse. Isso porque a herança cultural do Brasil é advinda de conceitos patriarcais e de doutrinas religiosas que são contrárias ao debate sobre sexo. Dessa forma, preocupantemente, a insuficiência de discussões sobre sexualidade na adolescência sustenta ideais retrógrados e proporciona números elevados de gravidezes abaixo de 18 anos. De fato, tal contexto relaciona-se com as ideias do filósofo Michel Foucault, no qual expressa com clareza que existem alguns temas que são silenciados na sociedade com objetivos claros. Assim, é válido ressaltar a importância de debates e desconstruções para amenizar a desinformação coletiva.

Nesse contexto, é imperativo pontuar que o problema deriva ainda devido à desestruturação familiar e da baixa atuação governamental. Sob tal ótica, segundo dados corroborados pelo IBGE (Instituto de Geografia e Estatística), a maioria das vítimas de gravidez precoce são pobres e de baixa escolaridade. Por conseguinte, a questão socioeconômica e a inobservância familiar fomentam graves prejuízos na vida das adolescentes, visto que proporcionam  a evasão escolar e a falta de perspectiva relacionada com o futuro acadêmico e financeiro.

Destarte, para que os casos de gravidez na adolescência sejam amenizados na sociedade brasileiro, o Ministério da Saúde em parceria com as principais emissoras de TV e mídias digitais devem elaborar uma campanha nacional de combate a gravidez precoce, por meio de propagandas direcionadas ao público adolescente, a fim de disseminar informações essenciais para a família e desmistificar preconceitos e tabus. Outrossim, é mister a participação de formadores de opinião da internet, já que possuem grande influência no universo digital, fortemente utilizado pelos adolescentes.Enfim, será possível mudar o quadro atual e modificar a realidade de diversas vítimas como no filme “Juno”.