Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/10/2019

No livro “Clara dos Anjos,” de Lima Barreto, o autor discorre sobre a vida de uma jovem negra e suburbana- Clara- criada por pais protetores e muito bem educada. Contudo, ela apaixona-se por um rapaz- Cassi- que a engravida, não assume a paternidade e transforma a vida da garota em amarguras, dores e medos. Fora do contexto literário, a gravidez na adolescência encontra-se em evidência na sociedade brasileira e constitui um desafio, pois manifesta-se, principalmente entre meninas moradoras da periferia e com baixo grau de instrução escolar, que por sua vez, desencadeia um ciclo vicioso de pobreza, posto que a evasão escolar, devido a prenhez, faz com que elas não cheguem ao mercado de trabalho e tampouco ao ensino superior.

Em primeiro lugar, destaca-se que o índice de gravidez precoce é maior dentro das periferias. Desse modo, de acordo com Mariana Varella, doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, a maioria das mães adolescentes são negras, possuem baixa escolaridade e residem, majoritariamente, nas periferias do país. Ademais, segundo o filósofo Rousseau “o homem é bom por natureza e a sociedade o corrompe,” assim, evidencia-se a teoria determinista que coloca o ser humano como produto do “meio” onde vive. Dessa forma, nota-se que enquanto essas jovens não saírem desse meio e explorarem novas oportunidades, principalmente no que tange ao acesso à educação, esse ciclo vicioso de pobreza, ao qual estão submetidas, infelizmente, não será quebrado.

Outrossim, conforme postulado por Kant, “ o homem é aquilo que a educação faz dele.” Sob tal ângulo, observa-se a correlação entre grau de instrução escolar e gestação antecipada. Nessa perspectiva, segundo a revista UOL, a proporção de grávidas por região aumenta, na medida em que, a taxa de escolaridade no local diminui. Sendo assim, é indubitável que a educação de qualidade relaciona-se diretamente com o combate da gravidez precoce, sendo, por conseguinte, o sistema educacional, um agente indispensável na conscientização dessas jovens.

Portanto, salienta-se a interligação entre gestação imatura e papel social da escola. Destarte,é mister que o MEC – Ministério da Educação- por meio da inclusão da educação sexual na grade curricular, promova palestras com docentes capacitados a serem ministradas semanalmente em horário escolar, principalmente nas escolas periféricas, que objetivem ensinar o planejamento familiar e o uso de contraceptivos, a fim de diminuir a incidência de gravidez precoce, evitar a evasão e escolar e elevar o grau de escolaridade dessas adolescentes, conferindo a elas um crescimento estudantil e profissional. Com isso, o destino dessas jovens será oposto ao de Clara, e fará com que elas desfrutem de um futuro mais digno a partir do acesso à educação que quebrará esse ciclo vicioso de pobreza.