Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/10/2019

“Que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais.”. Assim, declamou Casemiro de Abreu, no século XIX, sobre a felicidade de ser apenas um menino aproveitador de uma vida condizente com sua idade. Em contrapartida, na pós-modernidade, urge o debate acerca da gravidez precoce no Brasil, uma vez que, não só é prejudicial ao pleno desenvolvimento infanto-juvenil, mas também é um problema sociológico cujo o silenciamento corrobora com a naturalização.

A princípio, a partir do momento que uma pessoa, na fase da puberdade, rompe com o seu crescimento gradual apropriado, cria-se uma desadequação com o estágio físico-psíquico vivido. Nessa perspectiva, a “Ataraxia”, estado de bem-estar e equilíbrio, buscada pelos filósofos helenísticos da Grécia Antiga não consegue ser alcançada. Com isso, conceber filhos, sem ao menos possuir um sistema reprodutor bem aprimorado ou depois de tê-lo abandonar a escola, evidencia a sequela desse ato.

Outrossim, segundo a filósofa Hannah Arendt quando se ignora atos negativos praticados pelos indivíduos em comunidade apoia-se a banalidade do mal. Dessa forma, o corpo social precisa adquirir conscientização a respeito de como cidadãos em processo de formação não podem iniciar a vida adulta de maneira mal planejada. Pois, é mister destacar que isso é o ponto de partida para gerar sujeitos desajustados e com famílias desestruturadas, o que atinge toda a estrutura sócio-econômica do país.

Torna-se necessário, portanto, a criação de um projeto de abrangência nacional pelo Governo Federal a fim de criar um sentimento de consciência coletiva na sociedade civil. Para isso, cabe ao Ministério da saúde elaborar a cartilha ilustrada: “Juventude brasileira- Sob os olhos do cuidado”, a qual irá conter orientações detalhadas, com comentários de médicos e psicólogos, para pais e responsáveis sobre como inserir conversas de sexualidade e proteção, de acordo com a idade e o grau de aprofundamento necessário, no meio familiar . Ademais, em parceria com as USF- Unidade de Saúde da família- no âmbito municipal que irão fazer a campanha nos bairros incluídos em seu território e entregar os cadernos já finalizados.