Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/10/2019

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, as rápidas transformações da sociedade promovem o enfraquecimento dos vínculos sociais e a eclosão de uma “crise de consciência coletiva”. Dessa forma, o corpo social adoece e atinge o estado anômico, em que as patologias sociais são originadas. Analogamente, nessa mesma linha de pensamento e como produto desse processo, surge a gravidez na adolescência no Brasil. Nesse contexto, não só a exclusão social, mas também a falta de informação são os principais responsáveis pela persistência dessa problemática.

Em primeiro plano, é importante salientar que a falta de inclusão dos cidadãos mais jovens, mormente, meninas, favorece essa intempérie, visto que essas jovens têm baixas perspectivas em relação aos estudos e sua inserção no mercado de trabalho. Assim, o único papel social que resta para elas é o de ser mãe. De acordo com dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a incidência de gravidez na adolescência é mais frequente entre o sexo feminino de grupos de maior vulnerabilidade social. Nesse cenário, o problema repercute na saúde da mãe, que, na maioria das vezes, é afetada por problemas no seu desenvolvimento psicossocial. Ademais, seus filhos têm mais risco de ter uma saúde frágil e cair na pobreza.

Por outro lado, a falta de esclarecimento da juventude acerca da utilização correta dos métodos de contracepção, intensifica a proporção do contratempo, na medida em que não existe um projeto de instrução sexual nas escolas. Nessa perspectiva, a discussão dessa temática é evitada , haja vista que existe um pensamento oposto de que a educação sexual nas escolas poderia gerar a sexualização precoce dos alunos. Contrariamente, a esse posicionamento, a especialista no tema Caroline Arcari, afirma que o processo de informação sobre a sexualidade nos ambientes estudantis é fundamental para o crescimento saudável dos adolescentes, dado que é nesse momento que existe a oportunidade da discussão de assuntos relevantes, como a prevenção da gestação não planejada.

Infere-se, portanto, que a marginalização e falta de conhecimento dos adolescentes são prejudiciais ao tecido social brasileiro. Nesse sentido, a fim de mitigar esse infortúnio, a princípio, o Ministério da Educação deve promover a inclusão dos adolescentes na coletividade, por meio do ensino profissionalizante como também investir em palestras nas escolas com especialistas no tema, com a finalidade de amenizar a ocorrência de gravidez e informar melhor os jovens sobre a prevenção dessa adversidade, com o propósito de diminuir os números de gestantes precoces. Somente assim, com a aplicação dessas ideias, será possível, por conseguinte, diminuir o número desses casos e incluir a população socialmente.