Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/10/2019

O filme Juno narra a trajetória de uma jovem de 16 anos, que ao engravidar de um amigo, começa a lidar com a responsabilidade de decidir sobre seu próprio bem e o de seu bebê. Fora da ficção, é fato que essa é a realidade de muitos jovens no Brasil, que precisam lidar com os desafios da gravidez na adolescência. Diante disso, observa-se um grave impasse, tendo em vista não só a alienação social, fomentada pelos tabus do assunto, mas também a impulsividade no comportamento dos novos pais.

Em primeiro lugar, é fulcral analisar como o panorama supracitado contribui para a manutenção dos altos índices de gravidez na adolescência no Brasil. Acerca disso, é pertinente trazer a obra Ensaio sobre a cegueira, do escritor José Saramago, no qual expõe a cegueira moral como a alienação da sociedade frente às realidades distintas com que convive. Nesse sentido, fechar os olhos para os impactos negativos da falta de diálogo entre jovens e suas famílias, fomenta os ‘’tabus’’ em torno da questão sexual. Esse cenário dificulta o acesso a métodos contraceptivos adequados para cada caso (pílulas ou DIU), além de favorecer os julgamentos, principalmente direcionados às meninas, que somados a chegada de uma grande responsabilidade sem maturidade emocional delas, servem apenas para agravar uma situação já fragilizada.

Além disso, a necessidade de pertencimento em determinados grupos, motivados pela impulsividade, são outros pilares dessa problemática. Sob tal ótica, o conceito de menoridade, definido por Immanuel Kant, como a falta de autonomia dos indivíduos em usar seu próprio entendimento, exemplifica essa questão. Isso ocorre porque, por influência de terceiros, os adolescentes tendem, muitas vezes, a iniciar as práticas sexuais cada vez mais cedo, o que induz o amadurecimento precoce, e contribui para uma gravidez indesejada, devido a falta de esclarecimento necessário. Por conseguinte, as mudanças repentinas ocorrem não só nos corpos das novas gestantes, que ainda não possuem estruturas biologicamente preparadas, mas também na vida dos futuros pais, que têm o dever de auxiliar suas parceiras.

Logo, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para isso, compete ao Ministério da Educação em parceria com as Unidades Básicas de Sáude (UBS), ministrar campanhas em instituições de ensino, que envolvam palestras com psicólogos, enfermeiros e médicos. Isso deve ser feito, a cada semestre, com distribuição de cartilhas que exemplifiquem cada tipo de método anticoncepcional e orientem, sempre, a importância da consulta médica para a melhor prevenção da gravidez. Por fim, essas campanhas devem ser abertas à comunidades e transmitidas nas redes sociais do Governo, com o fito de abrir cada vez mais olhos para essa questão tão pertinente na sociedade brasileira.