Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/10/2019
O filme Juno retrata os dramas da personagem principal - que é uma adolescente de 16 anos - ao lidar com temas e situações além de seu nível de maturidade, uma vez que a mesma engravidou de um amigo de escola. No Brasil, diversas mães precoces lidam com situações parecidas com as de Juno, tendo em vista os altos índices de gravidez na adolescência. Trata-se de um problema social e de saúde pública, cujas causas residem, especialmente, na desinformação e em questões de gênero.
Em primeiro lugar, levando à alta prevalência de adolescentes sendo pais no Brasil, estão as questões relacionadas à informação. Não somente vários jovens passam pelo sistema educacional sem ter acesso à ela, mas, por vezes, têm acesso à informações errôneas, que levam-nos a crer que estão tomando precauções quanto à gravidez que, na verdade, são inúteis. Isso pois a maior parte dos adolescentes vivem conectados, convivendo em meios virtuais que facilitam a disseminação de informações falsas ou que não possuem validade científica. Por esse motivo, é fundamental que tenham acesso à uma educação de qualidade no meio formal de ensino - ou seja, na escola.
Ademais, questões de gênero endêmicas na sociedade brasileira atual também contribuem para os números altos de adolescentes com filhos. Nesse sentido, o IBGE apontou, em 2017, que apenas no período de dez anos, compreendido entre 2005 e 2015, o Brasil ganhou mais de um milhão de famílias compostas por mães solo. Devido a esse cenário de alto número de abandono paterno e frequente impunidade, garotos adolescentes sentem menos o peso de uma gravidez. Desse modo, fazem menos esforços para prevenir que ela aconteça - transferindo para a companheira, em muitos casos, todo o peso de ter conhecimento e se esforçar para tomar as medidas de precaução contra uma gravidez indesejada. Portanto, visando a diminuição dos índices de gravidez na adolescência do Brasil - para que menos jovens passem pelos dilemas enfrentados por Juno e possam focar em amadurecer e preparar para seu futuro profissional - o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Educação, devem organizar uma agenda uniforme, interdisciplinar e longitudinal (ou seja, que englobe vários anos escolares) para a educação sexual nas escolas brasileiras. Devem promover atividades, como debates e palestras, voltadas para ambos os gêneros, trazendo, também, a questão do abandono afetivo, inclusive em sua esfera legal. Com isso, será possível garantir que os adolescentes tenham acesso à informações precisas sobre sexualidade e também criar senso de responsabilidade nos garotos.