Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/10/2019
É comum vermos, nos dias de hoje, adolescentes grávidas. A maioria das pessoas conhece alguém que passa ou que já passou por isso. A questão é que os problemas advindos de uma gravidez precoce vão muito além apenas da pouca idade das jovens, e envolvem questões econômicas, psicológicas e sociais. Apesar dos avanços ocorridos no Brasil do chamado empoderamento feminino, ainda há muito o que ser feito para que essas jovens, ao invés de rejeitadas pela sociedade, sejam acolhidas, visto que, ao comprovada a gravidez, as jovens tendem a sofrer preconceitos, além do fato de não estarem econômica e psicologicamente preparadas para a chegada de um bebê.
Em primeira análise, é válido salientar que os estigmas em volta de uma adolescente grávida, trazem para ela grande constrangimento. De acordo com a teoria chamada “violência simbólica”, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, há formas de se agredir uma pessoa sem que necessariamente ocorra a agressão física, podendo também ser realizada por meio de xingamentos, agressões psicológicas ou, como comumente acontece com adolescentes grávidas, a rejeição. Tal teoria pode ser perfeitamente exemplificada com os casos de gravidez precoce, visto que as adolescentes grávidas são, muitas das vezes, segregadas pelos colegas, família e uma sociedade despreparada, e podem vir a abandonar a escola, além de ficarem psicologicamente abaladas.
Além dos problemas ocasionados pela exclusão dessas jovens, há também o fato de elas não estarem economicamente preparadas para a chegada de um filho, fato que contribui para que, não só essas jovens, como também os seus companheiros, abandonem a escola, e tenham como prioridade encontrar um emprego, para que possam oferecer aos seus filhos alguma estabilidade. Porém, a falta de qualificação desses jovens para o mercado de trabalho faz com que, muitas das vezes, eles consigam apenas subempregos e, impossibilitados de se dedicarem aos estudos, passam toda a vida sujeitados aos salários baixos. A frase do filósofo Immanuel Kant “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, exemplifica o fato de que os pais adolescentes, com pouca escolaridade, tem poucas chances de conseguirem alcançar prosperidade financeira.
Fica evidente, portanto, que a gravidez na adolescência no Brasil é um problema que traz grandes consequências para os jovens e deve ser evitado. É cabível que o governo, representado pelo Ministério da Educação, promova nas escolas campanhas de prevenção, por meio de aulas de educação sexual, evidenciando a necessidade do uso de preservativos para evitar a gravidez indesejada e, também, as doenças sexualmente transmissíveis, além de reforçar nos adolescentes a importância da educação, para que, dessa forma, os casos de gravidez na adolescência diminuam.