Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2019
Na série norte americana ‘‘Thirteen reasons why’’, Chloe Rice, ex-namorada de Brice Walker e sobrevivente de estrupo deste, se descobre grávida e decide abortar. De maneira análoga a sociedade hodierna, a gravidez na adolescência, seja por violência sexual, seja por inconsequência social apresenta barreiras, as quais dificultam a saúde e seguranças dos jovens. Nesse sentido, no Brasil, o fenômenos supracitado tem como precursor, ora a negligência do poder público, ora a omissão da família e da escola. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
Em primeiro plano, urge analisar a ausência de políticas públicas no país. Segundo Aristóteles, filósofo da antiguidade, a política tem a função de preservar o bem-estar das pessoas na sociedade. Essa visão, embora concreta, não se sobrepões no cenário brasileiro atual, já que a ausência de leis e aparatos sociais, para proteção e educação desses jovens, promove a manutenção da gravidez precoce, muitas vezes, indesejável. No entanto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), quanto mais informações de qualidade, mais tarde se inicia a vida sexual. Sob esse viés, verifica-se, portanto, a reformulação dessa postura estatal, no que concerne a segurança e a disseminação de educação sexual para a juventude, de forma urgente.
Ademais, outro fator a salientar é a apática atuação das instituições vinculadas a esses jovens. Consoante Anthony Giddens, sociólogo contemporâneo, existem duas fases no processo de socialização: a primeira pertence à família e a segunda, à escola. Nessa perspectiva, é fulcral a participação desses agentes na vida social desses indivíduos. Porém, esses afastam-se destes, no âmbito da vida sexual, na medida em que apresentam esteriótipos sociais como: a vida sexual está ligada somente ao indivíduo e sua privacidade. Diante disso, os jovens, consequentemente, encontram-se sozinhos e aptos, muitas vezes, a tomarem atitudes compulsórias sem ressaltar as consequências.
Destarte é mister a união entre Estado e a sociedade no intuito de mostrar a essencialidade da política ativa e eficiente para eliminação dessa mazela do corpo social. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos educacionais brasileiro, por meio de aulas complementares e palestras sobre sexualidade, incluir no currículo do Ensino Médio como assunto disciplinar, com o propósito de difundir conhecimento e evitar as inconsequências impostas nesta idade. Concomitantemente, o Órgão Legislativo deve desenvolver leis de prevenção e proteção, para assegurar o bem-estar desses indivíduos. E por fim, os familiares e as escolas, importantes instituições socializadoras, devem se mostrar presente na vida dos jovens para minimizar o sentimento de solidez. Só assim, ‘‘Thirteen reasons why’’ não terá semelhanças na sociedade brasileira.