Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2019
A adultização é o processo de encurtamento da infância pelo qual toda criança passa. Por mais que este fenômeno ocorra em ambos os gêneros, a maior incidência é nas meninas. O agravante é que esta transição, de maneira implícita, é considerada normal e até mesmo esperada. O senso comum da sociedade é de que as meninas amadurecem cedo, bem antes do meninos, este estigma perdura a séculos. A realidade mascarada diante deste discurso é a sexualização precoce destas meninas. Este fator é o grade responsável pelos altos índices de gravidez na adolescência.
A gravidez na adolescência é um problema social e de saúde pública. Muitas dessas mães vivem em situação de vulnerabilidade, logo, não possuem acesso à educação, saúde, segurança e alimentação saudável, razões que contribuem para gestações de risco, tanto para mãe quanto para o bebê. Há grandes riscos de morte para as parturientes, afinal o corpo da adolescente, até os 21 anos, ainda está em fase de amadurecimento e desenvolvimento.
É comum que a sociedade “proteja” os meninos de suas responsabilidades, inclusive como pais. Entretanto, nenhuma garota fez o próprio filho sozinha, não é mesmo? Ao trabalhar com a prevenção da gravidez, é importante evidenciar a participação e a responsabilidade de ambos, tanto no uso de métodos contraceptivos, quanto se ocorrer uma gestação.
No início deste ano, foi sancionada a Lei n° 13.798 e incorporada ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para promover anualmente a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. O objetivo é estimular atividades de cunho preventivo e educativo entre os jovens. A responsabilidade não deve ser somente dos órgãos governamentais, tal abordagem deve começar nas conversas em família. Os pais precisam entender que a prática de sexo faz parte da nossa humanidade e que em algum momento os seus filhos o farão. Se forem orientados corretamente, é evidente que terão responsabilidades e consciência de seus atos.