Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2019
No projeto textual “Falanstério” do século XIX, o filósofo Charles Fourier propõe uma comunidade ideal e perfeita. Nela pontua-se a ausência de conflitos e adversidades, o que vem, desde então influenciando as civilizações ocidentais. Contudo, a falta de medidas governamentais e sociais para solucionar a gravidez na adolescência, tem feito o Brasil se afastar desse lugar utópico. Nesse prima, é importante analisar os aspectos políticos e sociais que envolvem essa questão no país, a fim de combater esse problema que está presente na sociedade brasileira.
Diante desse cenário, é lícito referenciar o contexto histórico da Revolta da Vacina, no qual ocorreram vários conflitos entre populares e forças do governo carioca, devido a vacina obrigatória contra a varíola, em que a população não conhecia os efeitos positivos do tratamento. Atualmente, observa-se em nossa sociedade, resquícios dessa desinformação nas escolas públicas no que tange ao desconhecimento sobre os métodos contraceptivos, por parte dos alunos do ensino médio. Logo, é de suma importância a educação sexual como pauta educativa nas escolas, visto que existe um enorme tabu dos pais ou responsáveis, em conversar com os seus filhos sobre a necessidade de se prevenir, com o intuito de evitar o contágio de DSTs e sobre as dificuldades - falta de maturidade, o possível abandono do pai e o alto custo de medicamentos- na criação de filhos na juventude.
Nesse viés, pode-se mencionar a negligencia do Estado em oferecer informações nas áreas periféricas da cidade. Assim, as classes mais afetadas, são de jovens e adolescentes com suas vidas sexuais ativas que não possuem o acesso a informação, uma vez que as péssimas condições sociais - falta de acesso aos meios de comunicação, miséria e pobreza- colaboram com o baixo nível de instrução. Como resultado, sem o conhecimento sobre as opções de controle da natalidade, a gravidez se torna um fato comum nessas comunidades carentes, salientando os dados do IBGE, em que o maior índice de gravidez na adolescência se sobressai entre mulheres negras e com baixa escolaridade.
Torna-se evidente, portanto, que a entrave social da gravidez entre jovens no Brasil é de extrema urgência. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com médicos e especialistas em educação sexual, a realização de palestras nas escolas sobre a importância de métodos contraceptivos, com a presença de alunos e responsáveis, com o intuito de erradicar a falta de desinformação e promover a “quebra” desse tabu machista enraizado na sociedade. Também, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, desenvolva campanhas publicitárias em suas redes sociais - mídia de maior alcance-, com o objetivo de atingir ainda mais o público-alvo.