Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2019
Segundo Salvador Minuchin -terapeuta familiar e escritor- uma família é um tipo especial de sistema, com estruturas, padrões e propriedades que organizam esses períodos de estabilidade e mudança. Este aspecto familiar é um dos principais empecilhos que coloca a gravidez na adolescência em evidência no Brasil. Ao mesmo modo, a gravidez precoce traz riscos indesejáveis a saúde social e biológica da adolescente. De par com isso, é necessário uma mudança profunda neste cenário.
É imprescindível pontuar que, a família tem papel preponderante para a mediação de adversidades existentes no próprio âmbito. Todavia, quando se analisa a gravidez na adolescência o assunto gera instabilidade, já que o sexo ainda é tratado como tabu na sociedade, bem como a gravidez precoce gera olhares preconceituosos. Essa conjectura,relaciona-se ao atual número de adolescentes gestantes no país,que segundo a OMS, a cada mil meninas de 15 a 19 anos, o Brasil tem 68,4 bebes nascidos, superando a média estabelecida. Isso mostra a falta de comunicação dos pais e até mesmo da escola ao provimento do conhecimento adequado dos métodos contraceptivos, aliado a dificuldade de acesso aos mesmos nos postos de saúde.
Dessarte, a gravidez é por vezes encarada de forma negativa do ponto de vista emocional e financeiro dos adolescentes e suas famílias, alterando drasticamente suas rotinas. Por via de consequência, a maioria dos adolescentes abandonam a escola para cuidar dos filhos, o que aumenta o risco de desemprego e dependência econômica dos seus familiares. Há também um elevado grau de mortandade nessa faixa, contribuindo para a saúde biológica frágil da adolescente ou até mesmo da criança. Por isso, a educação, como afirma Immanuel Kant, é o maior e mais difícil problema imposto ao homem.
É evidente, portanto, que sejam fomentadas medidas acerca dos entraves na gravidez na adolescência. Neste esteio, é de lócus do Ministério da Educação a intervenção da escola aliado ao núcleo familiar, por meio de palestras que incentivem a conscientização coletiva com a participação de profissionais da saúde que atuem informando e distribuindo materiais didáticos para os familiares e professores, ficando a critério dos pais a perpetuação da informação aprendida para seus filhos. Além disso, a Secretária de Saúde de cada município deve priorizar e repassar para a comunidade informações sobre métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis. Somente assim a máxima equalizada por Kant será refutada.