Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2019
No filme “Preciosa” a gravidez precoce é abordada ao retratar a história de uma adolescentes de 16 anos - oriunda de uma situação familiar e econômica vulnerável - grávida de sua segunda gestação.Não obstante da ficção, no Brasil a gravidez na adolescência tem estado em evidência, visto que segundo o Datasus uma em cada cinco crianças nascidas no país é fruto de uma gestação precoce.Nesse contexto, é fato que a gravidez na adolescência é uma adversidade no Brasil, seja pela falta de educação sexual nas escolas e nas famílias, ou pelo tabu social a respeito do tema, urge-se a necessidade do debate acerca do problema.
Em primeira análise, entende-se que o tabu social acerca do sexo dificulta o dialogo entre os jovens e os pilares sociais - família e escola - visto que segundo o sociólogo Foucault ao etiquetar um tema como “palavra proibida” a sociedade priva os jovens de informações essenciais - como das doenças sexualmente transmissíveis, e dos métodos contraceptivos, por exemplo - expondo esses a perigos, e até a morte no caso das jovens mães.Nesse sentido, afere-se que a gravidez precoce em um ambiente despreparado ocasiona uma fragilidade emocional, social e econômica a todos os envolvidos, sobretudo as mães, como consta dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, esse que afirma que 58% das jovens mães não estudam ou trabalham.
Outrossim, é importante ressaltar que a falta de educação sexual nas escolas contribui para a permanência do problema, sobretudo entre as meninas mais pobres e menos escolarizadas, como confirma estudo do IBGE, esse que afirma que a taxa de fecundidade entre adolescentes é maior em regiões onde o IDH é menor, graças a essas áreas serem mais vulneráveis, já que são nelas onde o acesso a contraceptivos e a às informações de como usá-los corretamente são menores, dificultando a prevenção.
Em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário que o Poder Público tome providências para evitar casos de gravidez na adolescência.Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as secretárias municipais da educação, inserirem na Base Nacional Comum Curricular a educação sexual, a partir de palestras e rodas de conversas - que também envolvam as famílias - objetivando orientar e garantir o acesso a informação a esses jovens.Ademais, o Ministério da Saúde em parceria com as mídias sociais e da televisão, devem promover campanhas e propagandas capazes de ampliarem o acesso a informação a respeito do problema, de forma a quebrar o tabu imposto pela sociedade sobre o tema, contribuindo para a diminuição dos casos de gravidez na adolescência.