Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 01/11/2019

Incredulidade, insegurança e ansiedade. Esses foram os sentimentos da adolescente Juno MacGuff, da trama “Juno”, ao descobrir que sua primeira relação sexual resultou em uma gravidez. Fora da ficção,  casos como esse ocorrem demasiadamente no Brasil, fato preocupante que está estreitamente relacionado à sexualidade precoce e à baixa atuação das famílias no tocante à promoção de uma educação sexual efetiva aos seus filhos. Assim, a análise desses fatores é medida que se faz imediata para a atenuação da problemática.

Antes de tudo, é fulcral pontuar a erotização antecipada das meninas brasileiras como um gatilho para o índice de natalidades adolescentes no país. Nesse viés, essas adolescentes são diária e inadvertidamente estimuladas pelas mídias a iniciarem o processo de perda da inocência cada vez mais cedo e a adotarem práticas não condizentes com as fases atuais do seu desenvolvimento psicossocial. A esse respeito, a cantora brasileira Melody, de apenas doze anos, exibe em suas redes sociais um envolvimento com músicas e comportamentos adultizados, questão inadmissível que é evidentemente naturalizada tanto por seus seguidores, quanto pelas empresas que a patrocinam.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de preparo dos pais para estabelecer diálogos com seus filhos acerca de sexo e métodos contraceptivos. Logo, quando carentes dessa orientação, os adolescentes se tornam altamente vulneráveis à própria sorte, e expostos a práticas e acontecimentos que podem prejudicar suas vidas no futuro, como gestações não planejadas. Nesse sentido, de acordo com a Filosofia do Direito de Friedrich Hegel, as famílias são instituições que devem proteger seus filhos e educá-los sobre o que é certo e errado. No entanto, infelizmente, o que se constata na prática é a carência da participação dessa instituição na vida dos adolescentes brasileiros.

Depreende-se, portanto, que medidas devem ser adotadas a fim de reverter essa situação. Para tanto, com vistas a participar ativamente na transformação da realidade das famílias e meninas, as escolas (como entidades de extrema importância na teia social) devem promover a educação sexual, por meio de palestras semestrais com a participação de psicólogas e enfermeiras de unidades básicas de saúde. Essa iniciativa deve objetivar a orientação dos pais e alunos a respeito dos cuidados contra a sexualização precoce e maneiras efetivas de diálogos familiares sobre a primeira relação sexual, além de elucidar os métodos ideais para prevenir a ocorrência de gestações. Feito isso, experiências como a da menina Juno estarão cada vez mais distantes de serem recorrentes neste país.